Pesquisa indica queda de confiança na condução econômica de Trump
Uma pesquisa divulgada pelo Financial Times mostra que a maioria dos eleitores dos Estados Unidos desaprova a forma como o presidente Donald Trump tem lidado com a economia, segundo levantamento realizado entre os dias 1º e 5 de maio de 2026.
O estudo, encomendado à empresa Focaldata e com 3.167 eleitores registrados na amostra, aponta que cerca de 58% dos entrevistados reprovam a atuação do presidente no combate à inflação e no enfrentamento do aumento do custo de vida — hoje identificados como os principais problemas do país.
Além da questão inflacionária, mais da metade dos participantes também demonstra desaprovação em áreas como emprego, a economia em geral e política externa, conforme a análise publicada pelo jornal britânico.
A pesquisa traz ainda críticas à política comercial da Casa Branca: 55% dos eleitores afirmam que as tarifas impostas pelo governo prejudicaram a economia americana, enquanto cerca de um quarto da amostra considera que essas medidas trouxeram benefícios. A insatisfação com as tarifas não se limita aos democratas; eleitores independentes e parte dos republicanos também manifestaram críticas, ainda que em menor proporção.
O levantamento foi realizado em contexto de agravamento do conflito no Oriente Médio. Ataques aéreos atribuídos aos Estados Unidos e a Israel contra o Irã no fim de fevereiro desencadearam uma escalada militar que impactou o mercado global de petróleo. Como reflexo, o preço médio da gasolina nos EUA chegou a cerca de US$ 4,60 por galão, quase 50% acima do nível anterior à escalada do conflito, segundo o Financial Times. Apesar disso, Trump afirmou publicamente que os preços seguem “muito baixos”.
A condução do presidente na guerra contra o Irã também é alvo de reprovação: 54% desaprovam sua atuação nessa frente. Entre eleitores republicanos, cerca de 20% demonstram insatisfação, indicando divisões dentro da base de apoio.
Na avaliação geral do governo, 54% dos eleitores desaprovam o desempenho de Trump como presidente, enquanto 39% aprovam. Entre eleitores independentes, grupo visto como decisivo nas eleições legislativas de meio de mandato, a rejeição supera os 58%.
O levantamento indica ainda vantagem dos democratas na corrida pelo Congresso a poucos meses das eleições de meio de mandato: o partido aparece oito pontos à frente dos republicanos entre eleitores registrados, com diferença maior entre independentes. Atualmente, os republicanos controlam a Câmara dos Representantes e o Senado.
A Casa Branca contestou o resultado da pesquisa em nota ao Financial Times, afirmando que medidas como cortes de impostos, desregulamentação e a política energética do governo mantêm a economia em uma “trajetória sólida”. Segundo o governo, a expectativa é de que a redução das tensões no setor energético contribua para queda nos preços da gasolina, aumento dos salários reais e desaceleração da inflação.
Fonte: G1


