A Polícia Federal localizou mensagens com referências a atos violentos no aparelho celular do deputado estadual Thiago Rangel, filiado ao Avante. Rangel foi preso em 5 de maio de 2026, durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro.
As conversas foram capturadas por meio de interceptação telefônica autorizada pela Justiça e integraram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou as medidas desta etapa da investigação. Segundo o material incluído na decisão, os diálogos envolvem o parlamentar e outros investigados no suposto esquema.
Conteúdo das mensagens
Em uma troca de mensagens datada de 2021, quando Rangel ainda exercia mandato na Câmara Municipal, ele sugere ao assessor Fábio Pourbaix Azevedo que “mande uma surpresa” a um crítico identificado apenas como Felipe. Na mesma sequência, consta a expressão: “depois de 12 tiros no portão, o recado está dado”.
Outra comunicação registrada em 2022 mostra Rangel e Azevedo tratando de um ataque direcionado a uma pessoa não identificada nas peças da investigação. O teor das falas, segundo a PF, tem caráter ameaçador, com Azevedo indicando que “a hora” do alvo se aproximava e Rangel respondendo de forma provocativa.
Além das mensagens de texto, os agentes encontraram no telefone do deputado uma fotografia que mostra maços de dinheiro. A imagem teria sido enviada por Luis Fernando Passos, apontado como um dos investigados, acompanhado de informação a Rangel sobre a assinatura de um contrato, o que, segundo os autos, aponta para possíveis irregularidades financeiras.
A defesa de Thiago Rangel divulgou nota negando a prática de ilícitos e afirmando que o parlamentar oferecerá esclarecimentos ao longo da apuração. Os advogados ressaltaram que não se deve tirar conclusões precipitadas antes da análise completa dos elementos que motivaram a prisão.
O caso segue sob investigação e poderá acarretar desdobramentos jurídicos e políticos no âmbito estadual. As autoridades responsáveis continuarão as diligências para apurar a extensão das condutas apontadas pelas provas reunidas até o momento.


