Uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que 20% das indústrias brasileiras relataram ter sofrido furtos ou roubos de cargas nos últimos cinco anos. Do total das ocorrências apontadas pelas empresas, 68% ocorreram em rodovias, 48% em áreas urbanas e 21% em armazéns ou terminais de carga.
Entre as companhias afetadas, 42% estimaram prejuízos de até R$ 50 mil. Em conjunto com os problemas de transporte, 16% das indústrias também relataram ter sido vítimas de furtos, roubos ou atos de vandalismo em instalações ou fábricas no mesmo período.
Principais alvos e impactos
Os itens mais visados, segundo o levantamento, foram fios, cabos e metais (citado por 60% das empresas), seguidos por ferramentas (31%) e máquinas e equipamentos de produção (23%).
Em relação às perdas financeiras recentes, 70% das empresas que sofreram roubos ou furtos relataram prejuízos de até R$ 50 mil no último ano. A pesquisa entrevistou um total de 1.003 indústrias, sendo 500 de pequeno porte e 503 de médio e grande porte, distribuídas por várias regiões do país.
Segurança digital e operação
O levantamento também abordou incidentes envolvendo segurança da informação. 17% das indústrias disseram ter sido alvo de eventos que envolveram dados sensíveis, como vazamentos ou sequestro de informações, nos últimos cinco anos. Entre essas empresas, 30% registraram perdas financeiras diretas no último ano, 23% precisaram interromper operações e 17% informaram vazamento de dados de clientes ou funcionários.
Os custos gerados pela insegurança são repassados ao consumidor, segundo os entrevistados: 62% apontaram que os gastos com segurança no transporte encarecem, em algum grau, o preço final dos produtos. Além disso, 45% afirmaram que investimentos gerais em segurança elevam de forma significativa ou moderada o custo das mercadorias.
Sobre as consequências para o mercado, 53% dos empresários avaliam que a insegurança contribui para o fortalecimento do mercado ilegal e para o aumento da circulação de produtos roubados. Em relação a medidas prioritárias, 54% defendem aumento do policiamento em áreas industriais e 43% defendem aperfeiçoamento da legislação sobre o tema.
O deputado federal Julio Lopes, presidente da frente parlamentar que discutiu o tema, afirmou: “A segurança patrimonial do Brasil é um sobrecusto da produção brasileira, que altera a competitividade do Brasil”. O assessor da presidência da CNI, Cássio Borges, declarou que “os dados são muito preocupantes porque a segurança da informação é crucial para o negócio” e acrescentou que esse tipo de crime provoca perdas financeiras, perturbações operacionais, danos à reputação, responsabilidades legais, danos físicos e até riscos à segurança nacional.


