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07/06/2026: Mesmo com 91% defendendo o diálogo, gritos e violência física permanecem na educação de crianças, aponta pesquisa

Pesquisa mostra contradição entre discurso e prática na educação de crianças no Brasil

Levantamento realizado pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest revela que, embora 91% dos brasileiros considerem o diálogo a melhor forma de educar crianças, comportamentos violentos ainda são recorrentes na prática. A segunda edição do estudo “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes” ouviu 2.202 pessoas com 18 anos ou mais em 128 municípios do país entre 29 de maio e 7 de junho de 2026.

Entre os entrevistados, 62% afirmaram já ter gritado com uma criança; 49% reconheceram ter dado tapas; e 27% relataram já ter usado objetos para agredir. A pesquisa também indica que 74% dos participantes percebem aumento da violência contra crianças e adolescentes nos últimos anos.

Omissão diante de episódios em locais públicos

O estudo aponta ampla tolerância social: 62% disseram que não reagiriam ao presenciar palmadas ou puxões de orelha em espaços públicos. Esse índice é semelhante ao registrado em 2023, quando 64% afirmaram que não interviriam. O relatório sugere que a omissão pode decorrer da visão de que a educação dos filhos é privada ou do constrangimento em intervir.

Ao comparar atitudes consideradas aceitáveis com as práticas relatadas, a pesquisa mostra discrepância. Em relação a medidas mais severas para crianças de até 10 anos que persistem em comportamento incorreto, 42% apontaram que uma conversa mais dura seria suficiente, 26% citaram a aplicação de castigo e 7% mencionaram tapas ou surra como alternativa aceitável.

Formas de disciplina e aceitação do trabalho infantil

Embora 91% prefiram o diálogo, 47% julgam ideal ou aceitável o castigo que restringe o lazer, e outros 25% o consideram aceitável, embora não ideal. Além disso, 37% veem como aceitável gritar com crianças e 35% aprovam ameaças de agressão física.

Sobre trabalho infantil, 93% afirmam que a educação deve ser prioridade. Ainda assim, 61% consideram aceitável que crianças de até 11 anos trabalhem para evitar que fiquem em situação de rua, enquanto 76% rejeitam trabalho apenas por ordem dos pais. Entre adolescentes de 12 a 17 anos, 93% aprovam trabalho para não ficar na rua e 71% o aceitam quando exigido pelos pais.

Conhecimento das leis e confiança em instituições

Setenta e um por cento dos entrevistados não conseguem citar nenhuma lei de proteção à infância. Em relação à confiança em profissionais e instituições para proteger crianças e adolescentes, 60% confiam muito em psicólogos; 49% na polícia; 46% no Conselho Tutelar; 42% em assistentes sociais e CRAS; e 40% em unidades básicas de saúde e hospitais.

O levantamento também encontrou associação entre experiências de punição na infância e maior aceitação de métodos disciplinares rígidos na vida adulta, embora essa relação não seja determinante e parte das pessoas rompa esse ciclo.

Em nota, a diretora executiva do Infinis, Márcia Kalvon, afirmou que, apesar dos avanços em legislação e conscientização sobre os direitos da criança, persiste uma lacuna entre o que a população considera correto e o que é praticado no dia a dia.

Dados comparativos com 2023 mostram melhora em alguns indicadores: a proporção que afirma já ter gritado caiu de 66% para 62%; a que diz ter dado tapas passou de 52% para 49%; e a que relata uso de objetos para bater diminuiu de 38% para 27%. O apoio ao diálogo também recuou ligeiramente, de 93% em 2023 para 91% em 2026.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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