Maioria dos endividados vê vantagem no programa; pesquisa também aponta impactos econômicos e comportamento frente às dívidas
Pesquisa do Instituto Datafolha indica que 68% das pessoas com dívidas acreditam que serão beneficiadas pelo programa Desenrola 2.0. Além disso, 82% dos entrevistados nessa condição consideram que a iniciativa terá efeito positivo sobre a economia em geral.
Os índices do programa se destacam em comparação com avaliações políticas: entre os endividados, apenas 31% consideram o governo atual ótimo ou bom, e 46% aprovam o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os não endividados, 39% veem o Desenrola 2.0 como vantajoso para suas finanças pessoais e 73% creem no impacto benéfico para a economia; nesse grupo, a parcela que avalia o governo como ótimo ou bom fica em torno de 30% e 45% aprovam o presidente.
O levantamento aponta que os mais otimistas quanto ao programa são os jovens, os moradores do Nordeste e eleitores do presidente Lula. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que mais de um milhão de pessoas já foram atendidas pelo Desenrola 2.0.
O Datafolha aplicou a pesquisa nos dias 12 e 13 de maio, com 2.004 eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro para a amostra total é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos; entre os não alinhados, a margem é de quatro pontos.
Em levantamento anterior, divulgado em 18 de abril, o Datafolha mostrou que dois em cada três brasileiros possuem dívidas. Nesse levantamento, realizado entre 8 e 9 de abril com 2.002 pessoas, 41% dos que emprestaram dinheiro a conhecidos — amigos ou familiares — não receberam o pagamento.
Entre os endividados, 29% estão com parcelas de cartão de crédito em atraso, 26% não quitaram empréstimos bancários e 25% apresentam pendências em carnês de lojas. O crédito rotativo é usado por 27% dos entrevistados: 5% recorrem a ele com frequência e 22% de forma ocasional ou rara.
Sobre contas de consumo e serviços, 28% dos entrevistados têm algum débito em atraso. As despesas mais citadas como vencidas foram telefonia e internet (12%), tributos como IPTU e IPVA (12%), energia elétrica (11%) e água (9%).
O Datafolha também mediu a sensação de aperto financeiro: 45% da população vive sob forte pressão econômica — 27% em situação “apertada” e 18% em condição “severa” —; 36% enfrentam restrições moderadas e 19% têm restrições leves ou são isentos. Para equilibrar o orçamento, 64% reduziram gastos com lazer, 60% cortaram refeições fora de casa, 60% trocaram marcas por opções mais baratas, 52% diminuíram a compra de alimentos e 50% reduziram consumo de água, luz e gás. Entre as medidas tomadas, 40% deixaram contas vencerem e 38% interromperam pagamento de dívidas ou a compra de remédios.
Quando questionados espontaneamente sobre o maior problema pessoal, 37% dos entrevistados citaram questões financeiras, incluindo baixa renda, endividamento e alto custo de vida.


