Governo dos EUA calcula perda de US$ 4,8 bilhões para o Irã por restrições no Golfo de Omã
O governo do presidente Donald Trump estima que as medidas impostas pelos Estados Unidos no Golfo de Omã resultaram em uma perda de US$ 4,8 bilhões em receitas de petróleo para o Irã, segundo reportagem do site Axios com dados divulgados pelo Departamento de Defesa norte-americano. A ação é apresentada pela Casa Branca como forma de pressionar economicamente Teerã durante as negociações de paz.
A operação militar na área, que se conecta ao Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — foi adotada para limitar a circulação de embarcações ligadas ao Irã, após restrições impostas por Teerã no estreito. Autoridades dos EUA afirmam que, na prática, a passagem não foi totalmente interrompida: navios vinculados ao Irã continuaram a transitar, enquanto outras embarcações sofreram restrições.
Segundo o relatório citado, a estratégia americana busca esgotar a capacidade de armazenamento iraniana, pressionando o país a interromper a produção. “Eles provavelmente estão a várias semanas — ou talvez até um mês — de esgotar a capacidade de armazenamento”, afirmou Gregory Brew, analista da Eurasia Group, ao Axios.
Ao dificultar ou impedir a circulação de petroleiros, os EUA atingem uma fonte importante de renda do Irã: o petróleo representa entre 10% e 15% do Produto Interno Bruto do país. A escalada das tensões na região contribuiu para a alta do preço do petróleo, que acumula aumento superior a 50% desde o início do conflito entre os dois países; o barril do tipo Brent chegou a ser cotado a US$ 109,12, de acordo com as informações divulgadas.
O presidente Trump declarou publicamente insatisfação com a mais recente proposta de acordo apresentada pelo regime iraniano, afirmando que ainda não está satisfeito com o que foi oferecido e que “veremos o que acontece”. Trump também disse não estar preocupado com o estado dos estoques de mísseis dos EUA, em meio a relatos sobre o ritmo de uso de armamentos durante a confrontação.
O documento do Departamento de Defesa e a estratégia de manutenção do bloqueio foram apresentados enquanto o governo informou ao Congresso que as hostilidades haviam sido encerradas, mesmo com a continuidade do bloqueio naval — uma medida cujos efeitos legais e políticos têm sido objeto de debate, já que a permanência de forças americanas em operações militares normalmente depende de autorização parlamentar em um prazo legal previsto.
Autoridades iranianas, por sua vez, entregaram a mediadores uma nova proposta de negociação, segundo a agência estatal IRNA, que informou ter encaminhado o texto a intermediários no Paquistão. O cessar-fogo vigente entre as partes segue frágil, enquanto acusações mútuas de violações persistem.
O Departamento de Defesa dos EUA e o governo norte-americano têm utilizado os dados sobre perdas de receita como elemento central de sua campanha de pressão econômica contra o Irã, conforme relato do Axios citado pelas autoridades.
Fonte: G1


