Quem: Universidades dos Estados Unidos, entre elas a Arizona State University (ASU) e outras instituições como Syracuse, Quinnipiac, Colorado State e St. Bonaventure.
O que: Cresce o número de cursos e graduações voltados à formação de criadores de conteúdo digital, com disciplinas específicas para produção de podcasts, estúdio e presença diante das câmeras. A ASU lançou uma graduação em criação de conteúdo oferecida pela Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communication.
Quando e onde: A imagem que ilustra o debate mostra a criadora de conteúdo Aiesha Beasley filmando na inauguração do Padeland, em Chandler, Arizona, em 13 de agosto de 2026. A ASU anunciou o novo programa recentemente e não concedeu entrevista sobre o tema.
Como: Os currículos se apoiam em disciplinas tradicionais de comunicação e estudos de mídia, acrescentando um leque de eletivas práticas voltadas às plataformas digitais. Outras universidades vêm adotando programas semelhantes, tanto em forma de graduação quanto como certificações ou especializações complementares.
Críticas e defesa do formato
Especialistas e críticos questionam se um diploma acadêmico é necessário para ingressar na carreira de criador de conteúdo. Para Brooke Erin Duffy, professora de comunicação da Universidade Cornell, a oferta formal sinaliza que instituições e setores passaram a reconhecer a atividade como carreira legítima, embora o termo “influenciador” gere reações negativas. Ainda segundo Duffy, boa parte do trabalho dos criadores exige dedicação intensa, produção de mídia e gestão comercial, e muitas vezes não é tão bem remunerada no início.
O analista Max Willens, da Emarketer, ressalta que a economia dos criadores está em expansão — a previsão é de que a receita gerada por esses criadores nas redes sociais nos EUA supere US$ 20 bilhões neste ano —, mas alerta que a maior parte desse valor não vai diretamente para os criadores. Willens também considera exageradas as expectativas de que um curso universitário transforme alunos em produtores automáticos de conteúdo viral.
Custos e aplicação de habilidades
O custo de uma graduação é apontado como outro fator a ser avaliado. Na ASU, a mensalidade básica para residentes do Arizona é de cerca de US$ 12 mil por ano acadêmico; considerando moradia, alimentação e taxas, o custo total pode chegar a cerca de US$ 37 mil. Para estudantes de fora do estado, a anuidade supera US$ 35 mil, com custo total aproximado de US$ 60 mil antes de bolsas.
Alguns criadores veem valor nas formações formais. Aiesha Beasley, que trabalha como criadora de conteúdo, afirma que presença digital e marca pessoal podem abrir portas e ser úteis em comunicação e marketing. Sammy Cristerna, formado em sociologia e ciência política pela ASU, disse que teria cursado disciplinas do novo programa para aprender negociação de contratos e estratégias de monetização, embora considere que traços pessoais como “boa energia” diante das câmeras sejam difíceis de ensinar em sala.
Fonte: G1


