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16/08/2024: Empresas nos EUA adotam bolsas lacradas para celulares de funcionários para reduzir distrações

Empresas dos EUA exigem que funcionários guardem celulares em bolsas lacradas

Algumas companhias nos Estados Unidos passaram a exigir que funcionários guardem os celulares em bolsas lacradas durante o expediente, medida que tem como objetivos limitar distrações e proteger informações sensíveis. A prática, descrita em reportagem do Financial Times, já é utilizada em diferentes setores e também foi testada em escolas.

No caso da empresa de verificação de identidade digital ID.me, o sistema foi implantado há cerca de três anos e atinge aproximadamente 290 funcionários. Os aparelhos são colocados em pequenos sacos que permanecem com os trabalhadores, mas só podem ser abertos em estações magnéticas específicas. Ao contrário de armários tradicionais, as bolsas permitem que os usuários percebam chamadas ou notificações urgentes e o uso do celular continua liberado durante os intervalos.

Empresas que adotam o mecanismo apontam dois motivos principais: reduzir o risco de vazamento, intencional ou acidental, de dados sigilosos e aumentar a produtividade ao diminuir as distrações causadas pelos aparelhos. A fabricante das bolsas, Yondr, informa ter clientes em tribunais, agências governamentais, creches e empresas que lidam com propriedade intelectual sensível. Segundo o fundador e CEO da Yondr, Graham Dugoni, muitas organizações recorrem ao sistema depois de falharem ao tentar depender apenas de regras internas de conduta.

Executivos corporativos também manifestaram incômodo com o uso constante de celulares em reuniões. O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, criticou publicamente a presença de aparelhos durante encontros, classificando o hábito como desrespeitoso e prejudicial à produtividade.

Entre funcionários, relatos de efeitos positivos coexistem com resistência inicial. Na ID.me, por exemplo, a empregada Kamilah Muiruri afirma que a política melhorou sua relação com o celular e favoreceu mais interação entre colegas. Por outro lado, a empresa registrou queixas e descumprimentos nas fases iniciais: Kyle Scofield, vice-presidente sênior de suporte ao membro, disse que, nos primeiros seis meses, violações eram frequentes.

Pesquisadores divergem sobre os impactos da restrição. Adrian Chadi, professor associado de economia da Universidade de Southampton, aponta que a consequência da proibição varia conforme a natureza do trabalho: tarefas operacionais tendem a ganhar com menos distrações, enquanto atividades criativas podem ser prejudicadas. Eoin Whelan, da Universidade de Galway, observou em estudo que a liberação dos aparelhos, em outro caso, não reduziu a produtividade e ajudou funcionários a conciliarem demandas pessoais.

No Brasil, a legislação trabalhista não prevê regra específica sobre o tema, mas o empregador tem poder diretivo para organizar e fiscalizar a atividade dos empregados. Segundo o juiz do trabalho Luiz Antonio Colussi, o uso de celulares pode ser restringido desde que a medida respeite a privacidade, intimidade e dignidade do trabalhador; a fiscalização deve ser proporcional e pautada pelo bom senso. Limitações em situações de risco, como operação de máquinas ou veículos, são consideradas legítimas. Descumprimentos podem acarretar advertência, suspensão e, em casos graves, demissão por justa causa, e especialistas recomendam regras claras e exceções para emergências e intervalos.

Imagem relacionada: aluno destrava bolsa que impede o uso do celular durante o período escolar em escola na Califórnia (arquivo).

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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