As remessas globais de smartphones recuaram 11% no segundo trimestre, atingindo o menor volume desde 2013, segundo estimativas preliminares da Counterpoint Research. A retração é atribuída à prolongada escassez de chips de memória, que elevou os preços dos componentes e reduziu a demanda por aparelhos.
Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple em Taiwan, em foto de 19/09/2025 (Reuters/Ann Wang).
De acordo com a Counterpoint, a Apple foi exceção à tendência geral, registrando crescimento de 3% nas remessas e alcançando participação recorde de mercado de 20% no trimestre, apoiada pela demanda sustentada por seus modelos premium e pela manutenção dos preços. Analistas consultados pela pesquisa preveem novos aumentos de preços nos próximos meses.
A Samsung retomou a liderança do mercado, com 24% de participação, beneficiada pelas fortes vendas da linha Galaxy S26, melhor disponibilidade de estoques e menores reajustes de preço em mercados-chave, como Índia e Oriente Médio.
Entre os cinco maiores fabricantes, Xiaomi, Oppo e Vivo apresentaram as maiores quedas nas remessas. A Counterpoint observa que a queda dessas empresas reflete sua maior exposição a aparelhos de entrada e de faixa intermediária, segmentos mais afetados pelo aumento dos custos dos componentes.
A consultoria manteve a previsão de redução de cerca de 14% nas remessas globais de smartphones ao longo do ano e afirmou que a escassez de memória deve persistir até 2027. Os preços da memória continuaram em alta porque fornecedores têm priorizado clientes de data centers com foco em inteligência artificial, em detrimento dos eletrônicos de consumo.
Com a priorização das cadeias de suprimentos para data centers, fabricantes de smartphones enfrentaram custos maiores de componentes e passaram esses aumentos aos consumidores por meio de elevação dos preços dos aparelhos, especialmente nos segmentos de entrada e intermediário. Esse movimento contribuiu para a queda da demanda e para as variações de participação entre os principais fabricantes.
A Counterpoint caracteriza o cenário como de oferta restrita e pressão de custos, fatores que moldaram o desempenho do mercado no trimestre e que, segundo a consultoria, seguirão influenciando as remessas até que a disponibilidade de memória seja normalizada.
Fonte: G1


