Federal Reserve mantém taxa básica entre 3,50% e 3,75% ao ano
O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, nível que corresponde ao menor patamar registrado desde setembro de 2022. A decisão foi tomada pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) e acompanhou as expectativas do mercado financeiro.
Esta foi a quinta reunião consecutiva em que o banco central norte-americano optou por não alterar a taxa. Em comunicado, o Fomc afirmou que a atividade econômica continua a se expandir em ritmo sólido, apesar da “elevada incerteza”, atribuída em parte ao conflito no Oriente Médio. O texto divulgado pelo comitê teve extensão menor que o habitual.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, disse em entrevista coletiva que o comunicado não busca antecipar os próximos passos da política de juros, ressaltando que o documento se limita a relatar os fatos e evita projeções diante do atual cenário de incerteza.
O comitê justificou a manutenção das taxas citando seu duplo mandato de controlar a inflação e promover o máximo de emprego. No comunicado, o Fomc ressaltou que o crescimento da produtividade e os investimentos em capital seguem fortes, que a criação de empregos tem acompanhado o aumento da força de trabalho e que a taxa de desemprego permaneceu relativamente estável.
Sobre a inflação, o comitê observou que ela segue acima da meta de 2%, em parte devido a choques de oferta que pressionaram preços em setores específicos, incluindo energia. O texto conclui que o comitê entregará estabilidade de preços, mesmo diante das incertezas externas.
A decisão não foi unânime: três dos 12 membros com direito a voto — Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan — defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual nesta reunião.
Analistas destacam que os juros ainda elevados nos EUA mantêm atrativos os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos, o que tende a atrair recursos estrangeiros e fortalecer o dólar. Esse movimento costuma pressionar a entrada de capital no Brasil, pode desvalorizar o real e aumentar a pressão sobre a inflação doméstica, influenciando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil para manter a Selic em patamares elevados por mais tempo.
Trata-se da 13ª decisão do Fed desde a posse do presidente Donald Trump e é também a segunda tomada sob a direção de Kevin Warsh à frente do banco central.
Fonte: G1


