IA na clínica: limites, riscos e papel complementar
Um artigo publicado na revista The Lancet reacendeu a discussão sobre o lugar da inteligência artificial (IA) e da IA generativa na prática médica e na psicoterapia, ressaltando a necessidade de reavaliar o valor da interação entre seres humanos nos cuidados clínicos. A análise, citada em adaptação divulgada em 23/05/2026, aponta riscos e possibilidades que exigem atenção sobre como a tecnologia é aplicada no ambiente terapêutico.
Segundo o trabalho, há aspectos da prática clínica que os sistemas atuais de IA não capturam adequadamente, em especial sinais não verbais e elementos da comunicação interpessoal que são centrais ao processo terapêutico. A presença simultânea de duas mentes humanas distintas — paciente e profissional — é indicada como componente necessário para promover crescimento psicológico, além de funcionar como mecanismo de segurança e supervisão clínica.
O texto destaca que a psicoterapia se desenvolve em contextos interpessoais e culturais específicos: cada encontro clínico é individual, mas também atravessado por dimensões sociais, culturais, políticas e econômicas. Nesse sentido, conhecimento, emoção e vida social aparecem como elementos inseparáveis do cuidado. A partir dessa perspectiva biopsicossocial e intersubjetiva, conclui-se que chatbots não substituem os clínicos, embora a IA possa oferecer ferramentas complementares à prática humana.
Os autores enfatizam que a inovação em saúde deve preservar a atenção ao ser humano em sua totalidade. A tecnologia amplia possibilidades de diagnóstico e suporte, mas a empatia e a presença humana continuam sendo fundamentais para dar sentido e eficácia ao ato de cuidar.
No material adaptado consta a identificação da profissional que o divulgou: Dra. Gisele Vissoci Marquini — CRM 34170, RQE 19701 — com atuação em Ginecologia, Uroginecologia e Cirurgia Vaginal.
Imagem: Intramed News, 23/05/2026
Fonte: Revistasoberana
Referência original: Gardner C, Kleinman A. The Lancet, V. 407, N. 10542, Pg. 1910-1911, 2026. “Medicine, psychotherapy, and artificial intelligence.”


