O 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) transformou Brasília em palco de discussões sobre os principais desafios do agronegócio brasileiro. Realizado na última quarta-feira (13), o encontro reuniu autoridades públicas, parlamentares, representantes do setor produtivo, pesquisadores e diplomatas para tratar de temas como crédito rural, impactos geopolíticos e segurança alimentar.
Participaram do evento o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o ministro da Agricultura, André de Paula; a senadora Tereza Cristina; o deputado federal Pedro Lupion; além de representantes da CNA, Aprosoja, CTNBio, do Ministério das Relações Exteriores e de missões diplomáticas. O diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira, abriu o congresso destacando a necessidade de ampliar previsibilidade e segurança para o produtor rural diante das dificuldades no acesso ao crédito e da pressão por custos financeiros mais altos.
Plano Safra e alternativas de financiamento
No painel “Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor”, o vice-presidente Alckmin afirmou que o governo está aberto a discutir alternativas de financiamento ao agronegócio, citando a possibilidade de criação de um fundo garantidor para ampliar o acesso ao crédito rural. Alckmin também ressaltou o crescimento do etanol de milho no país, afirmando que o combustível “traz ganhos ambientais e econômicos”.
A senadora Tereza Cristina chamou atenção para o cenário de dificuldades que afeta simultaneamente o setor. “Estamos vivendo uma tempestade perfeita”, afirmou, ao enumerar juros elevados, conflitos internacionais, queda de preços das commodities e aumento dos custos de produção — avaliação que foi repetida por líderes e analistas presentes.
O debate também abordou o papel da biotecnologia e da inovação na segurança alimentar global. O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, defendeu que “o futuro da agricultura está na ciência e tecnologia” e ressaltou a importância da parceria comercial entre Brasil e China para o abastecimento mundial. O presidente da CTNBio, Mario Murakami, destacou os avanços em técnicas de adição gênica e outras tecnologias agrícolas como ferramentas fundamentais para aumentar a produtividade frente às mudanças climáticas e ao crescimento populacional.
Além das inovações, os participantes discutiram a dependência brasileira de fertilizantes importados, os efeitos das guerras internacionais sobre insumos agrícolas e a preocupação com barreiras ambientais e sanitárias no comércio exterior. Analistas do setor defenderam investimentos em tecnologia, logística, armazenagem e segurança jurídica para manter a competitividade do agronegócio brasileiro.
Representantes da Federação das Indústrias de Minas Gerais e pesquisadores da Embrapa destacaram a necessidade de integrar inovação, sustentabilidade e eficiência produtiva para assegurar a competitividade internacional. O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, apontou para o crescimento do etanol de milho e sugeriu que o sorgo pode se consolidar nos biocombustíveis devido à maior resistência climática e custo de produção reduzido.
O congresso prestou homenagens a personalidades e empresas ligadas ao desenvolvimento do setor, incluindo a jornalista Vera Ondei e a Inpasa Brasil, apontada como a maior produtora de etanol de milho da América Latina. Ao longo do evento, houve consenso de que o agronegócio brasileiro passa por uma transição estrutural: mantém crescimento em produção e exportação, mas enfrenta desafios complexos relacionados a crédito, competitividade, geopolítica, inovação, sustentabilidade e segurança alimentar.
Para os analistas presentes, o futuro do setor dependerá não só da expansão da produção, mas da capacidade do país de agregar tecnologia, oferecer previsibilidade econômica e garantir competitividade global.
FONTE: Regionalzao


