A China incluiu dez empresas dos Estados Unidos em sua lista de controle de exportações e determinou a suspensão das remessas de produtos classificados como de dupla utilização para essas companhias. Segundo o governo chinês, as empresas têm vínculos com as Forças Armadas americanas. A medida foi anunciada pelo Ministério do Comércio em comunicado e é apresentada como retaliação a restrições que Washington impôs a firmas chinesas no início do mês.
De acordo com o comunicado, a inclusão na lista obriga organizações e indivíduos, em qualquer país ou região, a interromper transferências ou fornecimentos de itens de dupla utilização originários da China às dez empresas citadas. As exportações em andamento devem ser encerradas imediatamente, disse o ministério, o que na prática equivale a uma proibição total — regra mais rígida em comparação ao regime anterior, que apenas exigia licenças de exportação.
Entre as empresas mencionadas estão produtoras de terras raras e fabricantes de componentes para aplicações sensíveis, como a MP Materials e a USA Rare Earth, que atuam na cadeia de extração e produção de ímãs, e a fabricante de motores Aveox. O ministério justificou as medidas como resposta às “práticas maliciosas do governo dos EUA”, afirmando que são necessárias para proteger a segurança e os interesses nacionais e cumprir obrigações internacionais de não proliferação.
Empresas americanas listadas
A lista divulgada pelo governo chinês inclui as seguintes dez companhias:
- Aveox, Inc.
- Red Cat Holdings, Inc.
- Teal Drones, Inc.
- IMSAR, LLC (EUA)
- Jaia Robotics, Inc.
- Ball Aerospace & Technologies Corp.
- Oshkosh Defense, LLC
- L3 Harris Maritime Services, Inc.
- MP Materials Corp.
- USA Rare Earth, Inc.
Em paralelo, o Ministério das Finanças da China anunciou sanções sobre outras 46 empresas americanas, com a proibição para compradores chineses de adquirir produtos fabricados por essas companhias. O comunicado ressalta, no entanto, que empresas com financiamento dos EUA que operam na China permanecem autorizadas a adquirir esses produtos.
O anúncio chinês ocorre semanas depois de os Estados Unidos atualizarem, em 8 de junho, uma lista de empresas que Washington considera ligadas ao aparato militar da China, ampliando a relação para 188 companhias e incluindo nomes do setor de tecnologia. Por conta de legislação recente, o Departamento de Guerra dos EUA ficará impedido, a partir do final de junho, de contratar diretamente dessas empresas; desde 2027, também não poderá adquirir seus produtos e serviços por meio de terceiros.
A inclusão de empresas chinesas na lista americana gerou reações: a Embaixada da China nos EUA se posicionou contra a criação de “listas discriminatórias” e pediu que os Estados Unidos cessem essa prática. Empresas chinesas citadas pelo governo americano, como BYD, Alibaba, WuXi AppTec e Baidu, negaram ter vínculo militar e informaram que buscarão caminhos legais para contestar as designações.
Veja mais detalhes na matéria original do G1:
G1 – China proíbe exportações para 10 empresas dos EUA e amplia retaliação comercial; veja lista


