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terça-feira, junho 23, 2026

Apenas 10 participantes tiveram nota máxima na redação do Enem 2025

Quem: 10 candidatos entre os mais de 4,8 milhões de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025.

O quê: Esses dez participantes atingiram a nota máxima na prova de redação do Enem 2025.

Quando: O levantamento que identifica os textos nota mil consta nos microdados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira (22).

Onde: Os dez candidatos vencedores vêm de sete unidades federativas: Bahia (2), Rio Grande do Sul (1), Ceará (2), Rio de Janeiro (2), Pernambuco (2) e Alagoas (1).

Como e por quê: A proposta de redação do Enem 2025 exigiu que os candidatos escrevessem sobre “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. O g1 teve acesso a alguns dos textos que receberam nota máxima e publicou transcrições fiéis aos originais, incluindo eventuais erros ortográficos.

Resumo dos textos de nota 1000 a que o g1 teve acesso

Wellington Ribeiro, de Recife (PE), utilizou a obra “Feliz aniversário”, de Clarice Lispector, para tratar da invisibilidade dos idosos e relacionou essa dinâmica a processos históricos de exclusão social. O candidato apontou práticas coloniais e legislações como a Lei dos Sexagenários como marcos que ajudaram a consolidar a marginalização da velhice no país. Propôs a criação do “Projeto Nacional Vida Feliz”, a ser articulado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com debates coordenados por idosos nos 5.570 municípios brasileiros para resgatar protagonismo e dignidade dessa faixa etária.

Caio Silva Braga, também de Recife, partiu do livro “O Karaíba”, de Daniel Munduruku, para contrastar a valorização tradicional dos mais velhos em comunidades originárias com a realidade brasileira histórica, em que envelhecer foi tratado como privilégio por políticas excludentes. O texto citou o filme “Vitória” (2025), estrelado por Fernanda Montenegro, como exemplo de representação do idoso ativo, e propôs ações do Ministério da Educação, citando iniciativas como o “projeto envelhecer” do Cin-UFPE para capacitação digital e autonomia de idosos.

Carlos Eduardo Gomes dos Santos, de Mombaça (CE), recorreu a conceitos de Boaventura de Sousa Santos e de Achille Mbembe para denunciar a “sociologia das ausências” e a necropolítica que, segundo seu texto, explicam a negligência do Estado e a omissão midiática em relação à terceira idade. Entre as medidas sugeridas estão programas do Ministério da Saúde em parceria com CREAS para atividades físicas e prevenção em Unidades Básicas de Saúde (UBS), além de maior representação dos idosos nos meios de comunicação.

Lucas Rodrigues, de Lauro de Freitas (BA), citou “A casa dos budas ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro, para discutir estereótipos sobre a velhice e criticou tanto a falta de políticas públicas quanto a postura do setor privado, que, segundo seu texto, contribui para agravar problemas de saúde e exclusão. Defendeu parcerias entre Estado e iniciativa privada para políticas focadas em saúde e atividade física que promovam um envelhecimento mais ativo.

O conjunto dos textos mostra, segundo as transcrições disponíveis, que os candidatos abordaram de forma recorrente a história, a responsabilidade estatal, a intervenção de políticas públicas e a necessidade de representatividade e inclusão social dos idosos.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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