Os fortes tremores que atingiram a Venezuela provocaram a morte de uma brasileira natural do Distrito Federal e deixaram ao menos 920 mortos, segundo balanço oficial divulgado até sexta-feira (26). Estima-se que cerca de 50 mil pessoas constem em listas de desaparecidos, e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) projeta que o número de óbitos pode ultrapassar 10 mil.
A vítima brasileira foi identificada como Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, nascida no Gama (DF). Ela havia se mudado há aproximadamente três meses para La Guaira, cidade litorânea a cerca de 25 km de Caracas, para morar com o namorado venezuelano. A morte de Vanessa foi confirmada nesta sexta-feira pelo irmão, Thiago Nogueira, em publicação nas redes sociais. Segundo a família, o namorado da brasileira sobreviveu e permanece internado em um hospital local.
Na quinta-feira (25), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) informou que dois cidadãos brasileiros, um homem e uma mulher, estavam entre as vítimas dos tremores. A identidade do segundo brasileiro não foi divulgada pelo órgão, que afirmou não confirmar dados pessoais de nacionais que utilizam serviços consulares, em respeito à legislação de acesso à informação.
Missão humanitária brasileira
O Brasil organizou uma missão humanitária que, conforme informações do major Anderson Dias, comandante da aeronave KC-390, deve chegar à Venezuela na noite de sexta (26). A operação reúne 44 integrantes e transporta cerca de 12 toneladas de equipamentos. A aeronave partiu de São Paulo, fez uma escala para reabastecimento em Boa Vista (RR) e seguirá para Maracay, onde está previsto o desembarque da equipe e da carga.
Abalos e destruição
Os abalos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram na noite de quarta-feira (24), em uma região localizada a aproximadamente 160 km a oeste de Caracas, quando parte da população comemorava um feriado. Foram considerados dois dos maiores terremotos da história recente da América Latina.
Até sexta, as autoridades venezuelanas contabilizavam 920 mortes e mais de 3.360 feridos. Equipes de resgate, incluindo contingentes estrangeiros que chegaram ao país, vasculham prédios desabados à procura de sobreviventes, muitas vezes em locais sem energia elétrica. Um site criado para reunir relatos de desaparecidos já registrava cerca de 50 mil nomes pela manhã.
La Guaira foi uma das áreas mais atingidas. O governo informou que pelo menos 250 prédios foram danificados ou destruídos, entre eles oito hospitais, a Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França. Segundo a agência de migração da ONU, quase 7 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos tremores, demandando abrigos emergenciais e suprimentos.
A tragédia atinge um país debilitado por crises econômicas e políticas que, ao longo de anos, reduziram a capacidade de resposta e deixaram parte da população em moradias precárias nas encostas, conhecidas como “barrios”. A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, anunciou mobilização ampla e agradeceu o apoio internacional, citando os mandatários Donald Trump e Vladimir Putin entre os que ofereceram ajuda.


