O monitoramento por satélite será obrigatório para as exportações do agronegócio brasileiro a partir de 30/12/2026, segundo determina o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR). A nova norma exige que grandes operadores comprovem que seus produtos não estão ligados a áreas desmatadas, com impacto direto nas cadeias da soja e da carne bovina.
O Brasil, que registrou exportações de US$ 169,2 bilhões em 2025, terá de adotar sistemas de rastreabilidade digital para manter o acesso ao mercado europeu. A exigência prevê a apresentação de evidências técnicas e georreferenciadas sobre a origem dos produtos, obrigando exportadores a demonstrar, por exemplo, a localização das áreas de produção vinculadas aos documentos fiscais.
Desafios e oportunidades
Produtores rurais enfrentarão mudanças nas rotinas de fiscalização e na forma como comprovam a origem da produção. A regulamentação requer que a localização exata das propriedades seja associada ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e às notas fiscais, exigindo provas digitais que podem ser complexas para pequenos agricultores sem suporte técnico.
Especialistas apontam, contudo, que o país tem capacidade técnica para responder às exigências. Um estudo mencionado na discussão sobre a norma indica que sistemas de inteligência artificial podem identificar com 97% de precisão as áreas agrícolas brasileiras, o que demonstra viabilidade para implantar rastreabilidade em larga escala.
Além do monitoramento via satélite, a combinação de geoprocessamento e integração de bancos de dados públicos amplia a precisão das informações sobre a origem da produção. Essas ferramentas podem transformar requisitos de conformidade em vantagem competitiva, ao permitir que produtores comprovem produção responsável e cumprimento da legislação ambiental.
Grandes produtores e empresas exportadoras já iniciaram processos de adequação às novas regras. A tecnologia deve não apenas auxiliar no atendimento às exigências do EUDR, mas também proteger operadores que atuam dentro da legalidade, diferenciando-os daqueles que colocam no mercado produtos de procedência questionável.
A integração entre monitoramento ambiental e registros públicos pode, se utilizada de forma estratégica, fortalecer a segurança jurídica e o compromisso ambiental do setor, contribuindo para a manutenção do papel do Brasil como um dos principais exportadores globais de produtos agropecuários.
Fonte: Uberlandianofoco


