O setor sucroenergético brasileiro enfrenta oscilações: a desvalorização do etanol tem comprimido a rentabilidade das usinas, ao passo que a possibilidade de um El Niño mais intenso acende alertas sobre a produção de açúcar em importantes exportadores internacionais.
Queda de preços do etanol e impacto nas usinas
Segundo o relatório AgroInfo de junho de 2026, elaborado pelo Rabobank, o etanol hidratado registrou recuo expressivo entre março e junho. No período, o preço passou de R$ 2,90 para R$ 2,20 por litro, queda aproximada de 24%, o que pressiona a margem de lucro das unidades produtoras.
A competitividade do biocombustível frente à gasolina, entretanto, aumentou: a relação de preços situou-se em torno de 60%, tornando o etanol uma escolha mais vantajosa para o consumidor. As usinas, contudo, consideram uma relação ideal de 63% para preservar o equilíbrio econômico entre produção e demanda.
Uma medida em discussão para mitigar a perda de mercado interno é o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, prevista para subir de 30% para 32% ainda neste ano. A elevação da mistura poderia elevar o consumo doméstico do biocombustível e reduzir a necessidade de importar combustível fóssil.
El Niño e perspectivas para o açúcar
No comércio internacional, a cotação do açúcar permanece pressionada pela expectativa de oferta global ampliada. Entretanto, a projeção de um El Niño de intensidade moderada a forte pode comprometer safras em países-chave como Índia e Tailândia, alterando o balanço entre oferta e demanda.
Além do clima, custos elevados de insumos — especialmente fertilizantes e combustíveis — aumentam o custo de produção e podem limitar práticas de manejo agrícola, com efeito negativo sobre a produtividade futura em diversas regiões.
O Brasil, maior exportador mundial de açúcar, segue com papel relevante na formação de preços internacionais. O terceiro trimestre do ano é tradicionalmente o período de pico da moagem da cana-de-açúcar no país, o que tende a aproximar os preços do açúcar e do etanol no mercado interno.
Em síntese, a combinação de preços mais baixos do etanol, mudanças regulatórias na mistura obrigatória e as incertezas climáticas associadas ao El Niño deverão orientar as decisões das usinas brasileiras nos próximos meses.


