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quarta-feira, julho 1, 2026

Governo dos EUA desconhecia participação do Brasil nas importações de mel, diz empresária que fará defesa em audiência em Washington

Empresária afirma que autoridades americanas ignoravam origem brasileira de grande parte do mel importado

A empresária Joelma Lambertucci de Brito, dona da Lambertucci Trade Solution, afirma que representantes do governo dos Estados Unidos não tinham consciência da participação do Brasil nas importações de mel americanas durante reuniões em que buscou isenção do produto nas tarifas propostas pelo presidente Donald Trump. Brito, que atua no mercado de mel e própolis há 35 anos, foi convidada para uma audiência pública em Washington marcada para 6 de julho, na qual defenderá a manutenção do fornecimento brasileiro ao mercado norte-americano.

No início de junho, Trump anunciou tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação que avaliou questões como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos PIX. No dia 2 de junho, o governo americano incluiu 60 países em uma lista que sofreu acréscimo de 12,5% em taxas por supostas falhas no combate ao trabalho forçado, e o Brasil apareceu entre os listados. Apesar de acusações relacionadas ao uso de trabalho forçado na pecuária brasileira, a carne bovina ficou de fora da nova tarifa adicional.

Segundo Brito, em encontros com o Departamento de Agricultura (USDA) e com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), ficou evidente que técnicos e tomadores de decisão não percebiam que o mel brasileiro constitui a maior parte das importações americanas em seu segmento. Ela informa que 83% do mel orgânico importado pelos Estados Unidos vem do Brasil e que, considerando o mel convencional, 75% das compras americanas têm origem brasileira.

A empresária atribui esse desconhecimento à falta de divulgação do setor e da política pública brasileira sobre o papel do país nesse mercado. Ela citou a atuação de entidades como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) em esforços de lobby, mas ressaltou que é necessário divulgar mais a origem dos produtos. Em sua visão, setores como o de carne e o de café conseguiram tornar a origem brasileira mais visível por meio de lobby estruturado.

Na audiência, além de Brito, estarão importadores americanos de mel e representantes da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel). Entre os argumentos previstos na defesa do setor estão: a predominância do Brasil nas importações americanas; a inexistência de competição significativa na produção de mel orgânico nos EUA; o impacto sobre preços e disponibilidade para consumidores americanos caso as tarifas sejam impostas; o tempo necessário para conversão de produção convencional para orgânica, estimado em pelo menos um ano; e o risco de perdas de faturamento e empregos entre importadores nos EUA.

O setor brasileiro de mel já foi atingido por medidas anteriores. Em 2025, exportações sofreram sobretaxação de 50%, o que levou ao cancelamento de vendas e prejuízos a apicultores — especialmente no Piauí, principal estado exportador, onde 85% do mel vendido em 2024 foi destinado aos Estados Unidos. No Piauí, a apicultura sustenta mais de 40 mil famílias. Diante do novo episódio de tarifação, empresas e associações trabalham para obter a isenção e evitar novo impacto nas cadeias produtivas e no comércio com os EUA.

A empresária diz que seguirá com o trabalho de lobby em Washington caso a isenção não seja concedida, buscando ampliar a rede de apoio ao mel brasileiro entre formadores de opinião e atores políticos americanos.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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