Haaland usa capacete, torcida imita e mito do capacete com chifres volta a circular
O atacante norueguês Erling Haaland foi visto usando um capacete com chifres ao comemorar a classificação da Noruega para as oitavas de final da Copa do Mundo, e imagens do acessório têm se espalhado entre torcedores que adotaram também a chamada “remada viking”. Apesar da presença recorrente desse visual em jogos e celebrações, especialistas afirmam que o capacete com chifres não corresponde ao que os vikings de fato usavam.
Pesquisadores destacam que a imagem do guerreiro nórdico de capacete com chifres só surgiu muitos séculos depois do período historicamente conhecido como Era Viking, quando artistas europeus passaram a retratar antigos guerreiros com esse adereço por liberdade estética. Essas representações foram incorporadas ao imaginário popular e consolidadas por manifestações artísticas posteriores, incluindo óperas e outras obras que reinterpretaram lendas e mitos nórdicos.
O professor Johnni Langer, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e integrante do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos da instituição, observa que, em contextos posteriores, a imagem do capacete com chifres foi usada para transmitir ideias de vigor, poder e caráter marcial. Segundo ele, esse tipo de iconografia encaixava nas necessidades de representação de estados e nações que buscavam exibir imagens de força.
Historicamente, o termo “viking” não identificava um povo único, mas uma atividade: era aplicado a quem participava de expedições marítimas, saqueios e navegações diversas. Com o tempo, o vocábulo passou a ser associado aos povos que habitavam as regiões hoje conhecidas como Noruega, Dinamarca e Suécia, mas entre esses grupos havia grande variação física e étnica.
Outra prática que viralizou com a seleção norueguesa — a chamada “remada viking”, usada pela torcida — também não tem base histórica como gesto comemorativo. Langer afirma que remar era uma atividade prática, vinculada à condução de navios de guerra ou de transporte, e não existe registro de celebrações ou rituais que usassem o movimento como forma de festejo.
A coreografia popular nos jogos da Noruega foi criada por um professor norueguês nos meses que antecederam o Mundial e testada em um amistoso contra a Suíça; a ideia se espalhou depois por meio de vídeos que ensinaram torcedores a sincronizar o gesto para criar efeito visual nas arquibancadas.
Enquanto a cultura pop continua a reforçar a imagem do viking como um guerreiro alto, barbudo e de capacete com chifres — presente em filmes, animações e quadrinhos — a pesquisa histórica aponta para uma realidade mais complexa e diversa sobre as origens e símbolos dos povos nórdicos.
Fonte: G1


