Descarte apropriado de embalagens vazias de defensivos agrícolas é parte essencial da prática sustentável no campo, envolvendo desde o planejamento da aplicação até a destinação final dos recipientes para evitar contaminação ambiental e impactos à saúde humana e animal.
No interior de São Paulo, uma usina em Novo Horizonte adotou um sistema automatizado chamado “Smart Calda” para medir com precisão a quantidade de defensivo necessária para cada talhão, reduzindo desperdício e aumentando a segurança operacional. O engenheiro agrônomo Vinícius Jacob Pires afirma que toda a programação é feita antes da pulverização, com emissão de uma ordem de serviço que detalha a quantidade do produto, a dose por hectare, a fazenda, o talhão e o volume aplicado.
Após a aplicação, as embalagens passam pelo procedimento obrigatório de tríplice lavagem, que elimina praticamente todos os resíduos. Em seguida, são perfuradas para impedir reutilização e permanecem armazenadas até serem encaminhadas a uma central de recebimento. A usina citada prepara cerca de 2.500 embalagens por mês para a destinação adequada.
O transporte até a central de Catanduva (SP) ocorre semanalmente em caminhões identificados, onde o processo é registrado para garantir rastreabilidade. O especialista ambiental Rodrigo Pinheiro Facca descreve um controle rigoroso que vai da compra do defensivo ao descarte das embalagens: são feitos romaneios, conferências em dupla e registros que permitem acompanhar o que foi comprado, utilizado e destinado corretamente.
Logística reversa e responsabilidades
O descarte integra o Sistema Campo Limpo, programa nacional de logística reversa que define responsabilidades para produtores, revendas, poder público e fabricantes. Segundo Rafael Vitalino, gestor de central do InpEV, o produtor deve devolver as embalagens, as revendas indicam o local de entrega no ato da venda, o poder público atua na fiscalização e os fabricantes financiam a operação.
Nas centrais do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), os recipientes são triados: materiais recicláveis seguem para empresas parceiras; os não reaproveitáveis são encaminhados para incineração de forma ambientalmente adequada. Atualmente, cerca de 93% do portfólio recebido é composto por papelão e plástico. O papelão retorna à cadeia na forma de novas embalagens ou barricas usadas para armazenar material impróprio; o plástico é reaproveitado em itens como conduítes, galões e tubos de PVC.
Produtores como o pecuarista Thomas Arias Rocco organizam e devolvem as embalagens ao final de cada safra, mesmo cobrindo custos de transporte, por entenderem que o procedimento contribui para a imagem e a sustentabilidade do agronegócio. O descumprimento das regras pode resultar em multas que variam de R$ 384 a R$ 96.000 e outras sanções previstas em lei.
As centrais de recebimento em São Paulo estão localizadas em Paraguaçu Paulista, São Manuel, Taquarituba e Piedade. O agendamento para devolução pode ser feito pelo Sistema Campo Limpo.
Fonte: G1


