As remessas de uva do Brasil ao exterior registraram queda de 30% entre janeiro e junho de 2026, segundo levantamento do Comex Stat analisado pelo Cepea. No período, o país exportou 7,27 mil toneladas da fruta, gerando receita de US$ 19,55 milhões — também 30% inferior ao mesmo intervalo do ano anterior.
O recuo nas exportações é atribuído a fatores combinados: dificuldades na produção, ocorrências de lotes com qualidade inferior, aumento dos custos de produção e barreiras comerciais que reduziram a competitividade da uva brasileira no mercado internacional.
Holanda segue como principal destino
Apesar da redução no volume embarcado, a Holanda permaneceu como o principal comprador da uva brasileira, absorvendo 42% do total exportado no primeiro semestre. Outros mercados relevantes incluem Reino Unido, Argentina, Canadá e Estados Unidos, embora com participações menores.
Uma medida comercial específica influenciou fortemente os fluxos: os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 33% sobre as importações brasileiras, o que ocasionou forte retração das vendas para esse destino. Como consequência, produtores brasileiros intensificaram o direcionamento de exportações para países europeus, ampliando a dependência desses mercados.
Qualidade e comportamento no mercado interno
Problemas de qualidade em alguns carregamentos enviados à Europa agravaram a situação, especialmente diante do cenário de custos elevados. Parte dos produtores preferiu destinar a produção ao mercado interno, que apresentou margens mais atraentes no primeiro semestre de 2026.
Com preços domésticos mais competitivos, a estratégia adotada por muitos foi manter os clientes internacionais já estabelecidos, em vez de buscar novas frentes comerciais enquanto persistiam as dificuldades.
Perspectivas para a segunda janela de exportação
O setor agrícola, no entanto, demonstra alguma expectativa de recuperação para a segunda janela de exportação. A melhora nas condições climáticas tem favorecido o manejo das parreiras, o que eleva as projeções quanto à qualidade das frutas a serem colhidas.
Além disso, avanços nas negociações entre o Mercosul e a União Europeia podem assegurar a continuidade do acesso da uva brasileira ao mercado europeu. Ainda assim, a competitividade permanece como desafio relevante para o setor.
Fonte: Uberlandianofoco


