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sexta-feira, setembro 25, 2026

Brasil se reúne com EUA na véspera do prazo e considera “injusta” proposta de sobretaxas

Na véspera do prazo final definido pelos Estados Unidos, o governo brasileiro realizou na tarde de 14 de julho a quinta rodada de conversas com representantes americanos e voltou a classificar como “injusta” a recomendação de aplicação de novas sobretaxas aos produtos do país.

A reunião, que envolveu equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e integrantes da Presidência, foi a quinta desde 7 de maio, quando os presidentes dos dois países concordaram em criar um grupo de trabalho para tratar do tema.

Os Estados Unidos conduzem uma investigação sob a Seção 301, que avalia supostas “práticas comerciais desleais” do Brasil. Entre os pontos apontados pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) estão o sistema de pagamentos instantâneos PIX, alegações de que o combate ao desmatamento ilegal seria insuficiente — favorecendo a exportação de produtos agrícolas — e reivindicações de grandes empresas de tecnologia em relação à regulação do setor no Brasil.

Segundo negociadores brasileiros, houve avanços nas negociações em fases anteriores, mas desde maio representantes norte-americanos passaram a adotar postura mais rígida, com exigências tidas como “inegociáveis”, como alterações no PIX e em normas sobre minerais críticos. Também foi relatado que dados apresentados pelo Brasil sobre desmatamento foram desconsiderados pelos americanos, sem contrapropostas.

Ministros afirmaram que a orientação do presidente Lula é manter o diálogo aberto e evitar que motivações ideológicas prejudiquem as conversas. Paralelamente, integrantes do governo avaliaram que a recomendação do USTR tem cunho político.

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. De acordo com o governo, oito dos dez produtos americanos mais vendidos no país entram sem tarifa, e o vice-presidente Geraldo Alckmin informou que a tarifa média sobre os principais bens de origem norte-americana é de 3%, argumento usado para contestar a medida.

Impactos econômicos foram levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados aos EUA poderiam ser afetados por uma eventual sobretaxa, totalizando US$ 15 bilhões em vendas. Entre os itens citados estão ferro gusa, molduras de madeira e álcool etílico.

Em reação, a CNI, a Câmara Americana de Comércio no Brasil (AmCham) e a US Chamber of Commerce enviaram carta conjunta aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e a autoridades americanas, incluindo Jamieson Greer, solicitando que os dois lados persistam nas negociações.

Em nota oficial, o MDIC reiterou o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas — citando a possibilidade de sobretaxas de 25% previstas na Seção 301 específica ao Brasil e de 12,5% aplicada a outras 59 economias no caso de trabalho forçado — e afirmou que nenhuma das razões apontadas justifica a imposição das tarifas. O comunicado lembrou que o prazo para o anúncio da medida e da lista de bens expostos termina em 15 de julho.

Fonte original: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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