O combate às doenças na soja no Brasil tem exigido uma revisão nas estratégias de manejo, em razão da evolução do cenário fitossanitário e das alterações climáticas. Especialistas reunidos no Trend Group Fungicidas 2026, promovido pela ADAMA, apontaram a necessidade de programas mais personalizados, ajustados às particularidades de cada região produtora.
No encontro, profissionais e pesquisadores destacaram que pragas até então consideradas secundárias, como cercospora e mancha-parda, passaram a ter maior relevância no planejamento das safras, dividindo espaço com problemas já consolidados, como a ferrugem asiática. Esse novo perfil de ameaças leva produtores a reestruturarem os programas de controle, indo além da simples identificação da doença predominante.
Fatores que influenciam decisões na lavoura
Segundo os debatedores, as escolhas nas áreas cultivadas agora levam em conta o ambiente de produção, o histórico da área e as condições climáticas locais. Essas variáveis influenciam o momento e a intensidade das aplicações de defensivos, além de determinarem a combinação de medidas preventivas e curativas adotadas.
Os especialistas também ressaltaram que aspectos agronômicos e econômicos estão mais interligados às decisões fitossanitárias. Questões macroeconômicas e geopolíticas, ao afetarem custos e a oferta de insumos, vêm desempenhando papel relevante no planejamento das lavouras e na execução dos programas de manejo.
Regiões e pragas com maior atenção
No Sul do país, a preocupação maior recai sobre doenças foliares que se favorecem de clima úmido e temperaturas elevadas, o que aumenta a probabilidade de prejuízos quando as janelas de aplicação ficam reduzidas por condições adversas. Esse cenário torna o planejamento antecipado imprescindível para manter a eficiência do controle.
No Cerrado, a demanda por programas mais resistentes é evidente em função da ocorrência de mancha-alvo e septoriose. Em sistemas de alta intensidade produtiva, a proteção da cultura em diferentes estágios de desenvolvimento tem exigido a combinação de tecnologias fungicidas com estratégias preventivas para reduzir riscos.
O debate também abordou o algodão, no qual a ramulária foi citada como um dos principais desafios fitossanitários. Em todos os casos, os presentes concordaram que a integração de conhecimento técnico e a adoção de soluções tecnológicas serão determinantes para proteger o potencial produtivo nas próximas safras.
Fonte: Uberlandianofoco


