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domingo, agosto 2, 2026

Seguro rural passa a exigir maior gestão de riscos diante do avanço de eventos climáticos extremos

O aumento na frequência de eventos climáticos extremos tem alterado os critérios para contratação do seguro rural no Brasil. Seguradoras estão incorporando à avaliação de risco não apenas a localização e o histórico produtivo das propriedades, mas também a capacidade de gestão de riscos e adaptação às mudanças climáticas, à medida que secas, enchentes e ondas de calor se tornam mais recorrentes.

A mudança ocorre em um contexto de alta vulnerabilidade do agronegócio brasileiro. Atualmente, menos de 20% da área agrícola do país conta com algum tipo de seguro, o que deixa grande parte dos produtores expostos a perdas significativas decorrentes de eventos climáticos.

Impactos econômicos e cobertura insuficiente

Entre 2022 e 2024, o Brasil registrou 67 eventos climáticos que causaram prejuízos estimados em R$ 184 bilhões. Desse montante, apenas 9% estava coberto por apólices de seguro, evidenciando uma lacuna relevante na proteção financeira dos produtores rurais. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que mais de 1.900 municípios brasileiros estão em situação de alta vulnerabilidade a esses fenômenos.

Novos critérios de avaliação adotados pelas seguradoras

As companhias de seguros passaram a considerar fatores adicionais na análise de risco das propriedades rurais, incluindo a gestão de recursos hídricos, a infraestrutura das fazendas e a adoção de tecnologias de monitoramento climático. Essas exigências refletem a busca por uma avaliação mais completa da capacidade de resistência e recuperação frente a eventos extremos.

Produtores que investem em planejamento e em tecnologias, como agricultura de precisão e sensores meteorológicos, têm apresentado maior capacidade de recuperação após ocorrências adversas, o que pode se traduzir em ganhos de produtividade e eficiência. Essas ferramentas auxiliam na otimização da produção e na redução dos impactos imediatos causados por variações climáticas.

O setor ainda enfrenta o desafio da restrição de recursos públicos destinados ao seguro rural. O bloqueio de verbas do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) previsto para 2026 reduz o apoio financeiro disponível aos produtores, em um momento de crescente exposição a riscos climáticos.

Diante desse cenário, a gestão de riscos ganha prioridade no agronegócio brasileiro. O seguro rural passa a ser entendido como parte de uma estratégia mais ampla, que agrega medidas de prevenção e adaptação para assegurar a continuidade e a sustentabilidade da produção agrícola.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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