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quarta-feira, julho 29, 2026

Justiça do DF proíbe Virgínia Fonseca de publicar posts que sugiram lucro certo em apostas

Decisão e alcance

A Justiça do Distrito Federal determinou que a influenciadora digital Virgínia Fonseca deixe de publicar conteúdos que deem a entender que apostas eletrônicas garantem retorno seguro. O despacho, assinado pelo desembargador Renato Rodovalho Scussel, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), também estabeleceu prazo de 48 horas para a remoção de publicações já no ar que violem a legislação vigente. A medida atinge a parceria comercial entre Virgínia e a plataforma Blaze.

O que foi proibido

Procedimento judicial

A decisão acolheu, ao menos parcialmente, pedido de liminar apresentado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que havia acionado a Justiça para suspender publicidade que considerou abusiva. O MPDFT move ação civil pública contra Virgínia e a Foggo Entertainment, empresa responsável pela operação da Blaze, pedindo condenação solidária ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos. O valor foi calculado a partir de uma referência ao faturamento bruto estimado da Blaze, avaliado em cerca de R$ 600 milhões por ano, e pela aplicação por analogia do teto de 20% previsto na Lei de Defesa da Concorrência.

Publicação citada no processo

O processo menciona um story publicado por Virgínia durante a Copa do Mundo de 2026 em que ela aparece apostando na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina, sem indicar claramente caráter publicitário. A partida terminou 3 a 2 para a Argentina. Para o MPDFT, o formato do conteúdo dava a impressão de espontaneidade, potencialmente levando seguidores a apostar sem perceber que se tratava de anúncio. A promotoria afirma que Virgínia recebia 30% sobre o prejuízo dos apostadores atraídos por suas publicações.

Obrigações e sanções previstas

O despacho exige que toda comunicação publicitária feita por Virgínia, inclusive em stories e postagens pessoais, seja identificada de forma clara como comercial. Condições de bônus e promoções devem ser destacadas proporcionalmente ao benefício anunciado. O descumprimento pode acarretar multa de R$ 100 mil por publicação irregular, limitada a R$ 2 milhões. Pedidos para suspender cláusulas contratuais ou proibir menções genéricas a eventos esportivos não foram concedidos nesta fase.

Investigação e fundamentos

Na investigação, servidores do MPDFT criaram cadastro na Blaze para acompanhar mensagens promocionais e apontaram uso de linguagem que cria senso de urgência, além de informações relevantes em posição de menor destaque. O inquérito civil foi aberto em 19 de junho após denúncias de consumidores e análise de mais de 42 mil reclamações. O promotor responsável, Paulo Binicheski, relacionou a publicidade ao agravamento da ludopatia. A decisão também cita estudos de psicologia cognitiva e economia comportamental, mencionando modelagens usadas para justificar a tese de manipulação do consumidor.

O processo observa que a estratégia de divulgação da Blaze envolve outras figuras públicas de grande projeção, como o jogador Neymar, e lembra inquérito em Mato Grosso iniciado em 2023 que identificou uso de celebridades para atrair apostadores antes da autorização federal da empresa, concedida em maio de 2024.

Mais informações no Paranaíba Mais.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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