Relatório do Cenipa indica omissão de registros sobre acúmulo de gelo em aeronave da Voepass
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a Voepass tinha conhecimento, antes do acidente com o voo 2283, de problemas relacionados ao acúmulo de gelo nas asas da aeronave. Segundo o documento, falhas já haviam sido identificadas em voos anteriores, mas não foram lançadas no livro de bordo, o que permitiu que a aeronave continuasse operando.
O acidente ocorreu em 09/08/2024 quando o ATR 72-500 que realizava a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) perdeu sustentação e caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo. As 62 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, não sobreviveram, caracterizando o episódio como o desastre mais letal da aviação comercial brasileira em quase duas décadas.
O tenente-coronel Paulo Fróes, responsável pela investigação, informou que a análise abrangeu aspectos além da parte técnica da aeronave. Foram avaliados 1.206 voos da companhia anteriores ao acidente, e os investigadores identificaram um padrão de resolução informal de falhas mecânicas sem registro oficial. Essa prática, descrita no relatório como “normalização de desvios”, teria sido adotada para evitar a retirada de aeronaves de operação, resultando em tratamentos distintos para problemas semelhantes e sem procedimentos padronizados.
O documento aponta ainda que a aeronave envolvida no acidente apresentou previamente falhas no sistema de proteção contra gelo, sem comunicação formal dessas ocorrências. Um dia antes do desastre, a tripulação reportou situação similar, mas não registrou a ocorrência. Além disso, os investigadores observaram que o sistema de alarme que deveria alertar para falhas no sistema de degelo não acionou em voos anteriores.
Conforme o Cenipa, a queda do voo 2283 decorreu de uma combinação de falhas operacionais e de supervisão acumuladas ao longo do tempo. Durante o voo fatal, os pilotos perceberam sinais de formação de gelo, porém não adotaram reação considerada adequada pela investigação. Fatores como elevada carga de trabalho e distrações na cabine foram identificados como contribuintes para a perda de atenção em momento crítico.
Além do inquérito do Cenipa, a Polícia Federal investiga possíveis condutas criminosas relacionadas ao acidente. Familiares das vítimas tiveram acesso a gravações da cabine que poderão esclarecer se o sistema de degelo foi acionado antes da queda. Representantes das famílias planejam buscar reparação por danos morais por meio de ação coletiva.
Fonte: Uberlandianofoco


