Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), a maior do país, iniciou nesta terça-feira, 28 de julho de 2026, uma investigação sobre possíveis fraudes no vestibular deste ano após indícios de uso de inteligência artificial (IA) nas respostas dos candidatos. Pela primeira vez, o exame de admissão foi aplicado em formato online, e a mudança ocorreu paralelamente a um aumento expressivo no desempenho em algumas carreiras.
O reitor Leonardo Lomelí suspendeu o processo seletivo e determinou que uma comissão interna revise os resultados antes de qualquer homologação das listas de aprovados. A prova, aplicada entre maio e junho, exigiu que os candidatos mantivessem câmeras e microfones ligados durante a realização; um fiscal virtual podia solicitar que o participante movimentasse a câmera para mostrar o ambiente, segundo relato de uma jornalista da AFP que participou da avaliação.
Redes sociais reuniram publicações de usuários que atribuem a aprovação ao auxílio de ferramentas de IA. Em fóruns e em postagens anônimas, alguns aprovados comentaram ter usado assistentes baseados em IA para responder às questões. Esses relatos ganharam atenção após a análise do programador e especialista em inteligência artificial Helios Ocaña, que examinou os resultados em três cursos, inclusive medicina, e constatou que a média de acertos em 2026 chegou a ser três vezes maior do que no ano anterior.
Ocaña ressaltou que seus achados não constituem prova definitiva de cola ou uso de IA, observando que realizar uma prova em casa pode reduzir ansiedade e que a própria prova pode ter sido reformulada e se tornado menos difícil. Ainda assim, o aumento abrupto no desempenho motivou a abertura da apuração por parte da universidade.
Reações ao caso foram diversas: grupos de estudantes saíram às ruas no início da semana defendendo a validade dos resultados contestados, enquanto candidatos não aprovados pedem a reaplicação da prova em formato presencial. No cenário político, a presidente Claudia Sheinbaum cobrou uma investigação aprofundada e questionou se a empresa contratada para organizar o exame teria participado de eventuais irregularidades.
A universidade informou que o procedimento de verificação incluirá análise técnica dos padrões de respostas e da plataforma usada para aplicar o vestibular, com o objetivo de esclarecer se houve ou não intervenção externa por meio de ferramentas automatizadas.
Fonte: G1


