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quinta-feira, julho 30, 2026

SUS envia à Conitec avaliação de PrEP injetável; cientistas relatam dois novos casos de remissão do HIV

O Ministério da Saúde encaminhou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) proposta para incorporar ao Sistema Único de Saúde a PrEP injetável de longa duração, com aplicação a cada dois meses, cuja análise está prevista para agosto. Simultaneamente, pesquisadores internacionais apresentaram na 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco hematopoiéticas, elevando para 13 o total de pacientes sem detecção do vírus no sangue após esse tipo de procedimento.

PrEP injetável e avaliação no SUS

Atualmente, o SUS disponibiliza a PrEP oral, indicada para pessoas que não vivem com HIV mas apresentam maior exposição ao risco; desde sua inclusão no sistema público, 356 mil pessoas iniciaram a estratégia. A alternativa injetável, aplicada a cada dois meses, é apresentada como opção para quem tem dificuldade em manter o uso diário do comprimido, com a expectativa de ampliar a adesão e alcançar populações com menor acesso às formas existentes de prevenção.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou durante a conferência que a ampliação de tecnologias de prevenção busca oferecer alternativas a quem tem problemas de adesão à medicação diária. Segundo ele, a avaliação de novas tecnologias para o SUS considera critérios técnicos, científicos e econômicos, além das condições de acesso da população, e ressaltou que inovação sem acesso não deveria ser chamada de inovação.

O que o SUS já oferece

Além da PrEP oral, a rede pública oferece um conjunto de medidas de prevenção combinada: preservativos, gel lubrificante, profilaxia pós-exposição (PEP), testagem rápida e autoteste. Para pessoas que vivem com HIV, o SUS disponibiliza tratamento antirretroviral, acompanhamento clínico, monitoramento laboratorial e atendimento multiprofissional. O Ministério acompanha também o desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo pesquisas nacionais, como o trabalho da Fundação Oswaldo Cruz em parceria com instituições privadas para criar medicamentos de ação prolongada.

Avanços em controle da transmissão e queda nas mortes

Em dezembro de 2025, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública, mantendo a taxa de transmissão mãe-filho abaixo de 2% e a incidência em crianças inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos, além de cobertura superior a 95% em pré-natal, testagem e tratamento das gestantes com HIV.

Um relatório da Unaids apontou redução de 57% no número de mortes relacionadas à aids desde 2010, de 1,3 milhão para 570 mil em 2025. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 9,1 mil óbitos por aids em 2024, queda de 13% em relação a mais de 10 mil mortes no ano anterior. A oferta de testes rápidos no SUS dobrou nos últimos três anos; atualmente, 22% das pessoas diagnosticadas iniciam o tratamento no mesmo dia da confirmação e mais da metade começa a terapia antirretroviral em até 30 dias após o diagnóstico.

Novos casos de remissão após transplante de células-tronco

Na conferência, foram apresentados dois casos que se somam à lista de remissões do HIV após transplante de células-tronco: o paciente de Kansas City, nos Estados Unidos, que também foi diagnosticado com leucemia mieloide aguda, e o paciente de Essen, na Alemanha, que vivia com dois tipos diferentes do vírus e tinha hepatite B. Em ambos os casos, os receptores receberam células-tronco hematopoiéticas de doadores com a mutação genética CCR5 delta32, que impede a entrada do vírus na célula.

Após o transplante, os doadores passaram a gerar células sanguíneas a partir do novo material genético, incluindo linfócitos CD4 potencialmente resistentes ao HIV. Nos dois pacientes, os antirretrovirais foram suspensos para avaliar a resposta; meses depois, os exames não detectaram o vírus no sangue. No caso de Kansas City, não houve detecção por 14 meses; em Essen, o período reportado foi de 12 meses, mas a interrupção do tratamento levou à recidiva da hepatite B.

A pesquisadora Carina Elsner, responsável pelo estudo do paciente de Essen, observou que a mutação CCR5 delta32 em homozigose ocorre em cerca de 10% dos europeus do norte, tornando o achado raro, e destacou que permanece em aberto a dúvida sobre se essa variação é determinante para remissão duradoura. Wissam El Atrouni, que acompanha o caso de Kansas City, afirmou que se trata de mais um caso entre poucos e que serão necessários acompanhamentos mensais contínuos.

O primeiro paciente amplamente considerado curado do HIV foi Timothy Ray Brown, o conhecido “paciente de Berlim”, que recebeu transplante em 2007 e viveu sem sinais do vírus até sua morte em 2020 por causa da leucemia que motivou o procedimento.

Entre os avanços científicos apresentados internacionalmente e as iniciativas do SUS para ampliar o acesso à prevenção, o Brasil segue combinando estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento para reduzir o impacto da epidemia. Continue acompanhando o Portal Paranaíba Mais para as principais notícias sobre saúde.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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