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sexta-feira, julho 31, 2026

Programa Move Aplicativos financia R$ 2,2 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas

Move Aplicativos alcança R$ 2,2 bilhões em aprovações de crédito

O programa Move Aplicativos, linha de crédito lançada para facilitar a compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativo com juros reduzidos, já teve R$ 2,2 bilhões em operações aprovadas, segundo balanço divulgado pelo BNDES nesta sexta-feira (31). Ao todo, 21.720 profissionais em todo o país contrataram financiamentos, com valor médio de R$ 102 mil por motorista.

De acordo com o banco, a iniciativa chegou a 1.445 municípios e, na última semana, registrou quase 3 mil aprovações por dia. O BNDES informou ainda que a linha já representa 30% do volume de veículos vendidos no Brasil. O programa foi anunciado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e coloca à disposição cerca de R$ 30 bilhões do Tesouro Nacional, repassados ao BNDES para viabilizar as operações.

Podem acessar a linha de crédito taxistas legalmente registrados e motoristas de aplicativo com cadastro ativo por, no mínimo, 12 meses e que tenham realizado pelo menos 100 corridas nesse período, na mesma plataforma. Entre as regras para os veículos estão preço máximo de R$ 150 mil, motorização flex, elétrica ou híbrida flex — modelos híbridos apenas a gasolina ficam de fora — e fabricação por montadora habilitada no programa Mover. Para carros usados, a participação fica restrita a elétricos ou híbridos flex.

As condições financeiras previstas são taxas de juros nominais de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, prazo de até 72 meses e carência de seis meses.

Apesar do avanço nas aprovações, os R$ 2,2 bilhões representam apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões previstos para a iniciativa. Para fomentar as vendas, a linha aceita também a compra de seminovos, desde que sejam elétricos ou híbridos flex. A tabela Fipe indica que há poucas opções híbridas flex abaixo de R$ 150 mil no mercado de usados, citando preços médios de modelos como Fiat Pulse (R$ 107.493), Fiat Fastback (R$ 117.746), Peugeot 2008 GT (R$ 146.415) e Peugeot 208 GT (R$ 120.769).

Entre os elétricos usados, a Fipe aponta maior oferta, com preços médios como BYD Dolphin Mini (R$ 98.136), BYD Dolphin (R$ 118.540), GWM Ora 03 (R$ 120.391), GAC Aion UT (R$ 128.790), Chevrolet Spark EUV (R$ 139.020), Geely EX2 (R$ 113.882) e Renault Kwid E-Tech (R$ 81.412).

Especialistas e representantes do setor consultados pelo g1 atribuem a lentidão no ritmo de adesão principalmente às barreiras na aprovação do crédito. A economista Tereza Fernandez afirma que muitos motoristas não reúnem condições financeiras e que a análise de risco das instituições está limitando a expansão. Ela também observa que, mesmo com juros menores, o preço médio dos veículos continua elevado para esses profissionais.

O consultor automotivo Milad Kalume Neto ressalta que o risco de inadimplência recai sobre as instituições financeiras, o que leva a recusas de propostas; segundo ele, apenas duas das nove instituições que operam a linha estariam mais acessíveis. Armando Castelar, do FGV Ibre, aponta o alto nível de endividamento das famílias como fator que reduz a procura por renovação de veículo.

Leandro Cruz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipais de SP, confirma dificuldades de aprovação para condutores negativados, incluindo aqueles com maior faturamento, e chama atenção para a menor garantia de seminovos e riscos como adulteração de quilometragem ou problemas mecânicos em carros de locadora.

Entidades do setor também manifestaram cautela: a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), representada por Everton Fernandes, elogia a iniciativa, mas alerta para efeitos imediatos limitados se os critérios de risco não mudarem. A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), por meio do presidente Enilson Sales, lembra que a aprovação depende das instituições que assumem o risco, prevendo recusas e possíveis exigências de entrada para reduzir inadimplência.

Dados do Serasa mostram que, em junho deste ano, havia 83,7 milhões de endividados no Brasil — aumento de 17,2% em relação a 2023, quando eram 71,4 milhões —, o maior número da série histórica, com alta por 18 meses consecutivos.

Esta reportagem está em atualização.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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