Autoridades alemãs avaliam banir os óculos inteligentes da Meta em reação a casos de gravações não autorizadas que circulam em redes sociais. O produto, que vendeu mais de 7 milhões de unidades globalmente no ano passado, enfrenta críticas por potencial violação de privacidade em um país com forte tradição de proteção de dados.
O que ocorre e quem atua
O órgão regulador de telecomunicações da Alemanha está investigando a tecnologia, enquanto o comissário de proteção de dados responsável pelos serviços da Meta no país, Thomas Fuchs, afirmou em entrevista à emissora ARD que seu gabinete já toma medidas para impedir filmagens ocultas com os óculos e aplicar multas quando houver gravações proibidas. Fuchs indicou ainda que, pela dificuldade em identificar o aparelho no uso cotidiano e reconhecer quando a câmera está ativa, há argumento jurídico para uma proibição total.
Casos e medidas locais
Relatos da imprensa apontam episódios em que pessoas foram filmadas sem consentimento. Em Hamburgo, uma mulher teria sido gravada por um desconhecido enquanto tomava sol à beira de um lago; o vídeo teria sido postado no TikTok. Incidentes semelhantes foram noticiados em Colônia. Em Potsdam, as autoridades aprovaram, em junho, a proibição do uso dos óculos em piscinas e saunas. Em Hamburgo, o partido A Esquerda propôs medida equivalente.
Reações de organizações e de fora da Alemanha
Organizações de direitos digitais alertam para o risco de gravações discretas que não são percebidas pelas pessoas filmadas e que acabam sendo divulgadas em redes sociais. Nos Estados Unidos, o estado de Nova York vetou o uso dos óculos inteligentes em todos os níveis de tribunais, decisão que ganhou força após membros da equipe de segurança de Mark Zuckerberg terem utilizado os dispositivos durante o julgamento do executivo na Califórnia.
Revisão humana de imagens e investigações internacionais
Em fevereiro, reportagens na Suécia revelaram que trabalhadores terceirizados no Quênia tiveram acesso a imagens sensíveis captadas pelos óculos, incluindo nudez e conteúdo sexual. A Meta disse que esses contratados podiam ver vídeos que os usuários compartilhavam com a empresa. O caso suscitou preocupações de autoridades no Quênia e no Reino Unido, resultou na abertura de um processo nos Estados Unidos e levou a Meta a cancelar o contrato com a empresa queniana envolvida.
Os óculos inteligentes da Meta também estão à venda no Brasil. Em evento Meta Connect, em Menlo Park, Califórnia, o CEO Mark Zuckerberg apareceu usando o modelo Meta Ray-Ban Display durante apresentação feita em 17 de setembro de 2025.


