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quarta-feira, agosto 5, 2026

Gasolina sobe cerca de 30% nos EUA e Trump pressiona petroleiras por queda de preços

Quem e o que: A inflação dos combustíveis nos Estados Unidos levou o preço médio da gasolina a cerca de 30% acima do registrado no ano anterior, e o presidente Donald Trump voltou a cobrar publicamente as grandes petroleiras por uma redução nos valores cobrados aos consumidores.

Quando e onde: Na segunda-feira, segundo dados da American Automobile Association (AAA), o preço médio da gasolina nos EUA chegou a US$ 4,095 por galão, enquanto, em maio, o valor médio havia atingido US$ 4,52 por galão.

Pressão pública de Trump

Nos últimos dias, o presidente dos EUA fez cobranças às empresas do setor energético, afirmando que os consumidores não deveriam arcar com preços elevados que começaram a subir após a escalada do conflito com o Irã no Oriente Médio. Em declarações à imprensa na Casa Branca, Trump disse: “Não gosto disso. Eu deveria ser a última pessoa a dizer isso, porque sou um grande defensor da livre iniciativa, ninguém mais do que eu. Estão surpresos por eu dizer isso? Vou dizer em alto e bom som. Não estou satisfeito”.

Trump também criticou o CEO da Chevron, Mike Wirth, por não reconhecer o papel de sua administração no fortalecimento da indústria do petróleo. Em publicação na Truth Social, o presidente afirmou que seu governo “salvou” o setor e citou o retorno da Chevron à Venezuela como exemplo. As críticas foram estendidas a empresas como a ExxonMobil.

Por que os preços subiram

Analistas apontam que a alta do petróleo, commodity negociada globalmente, elevou os preços da gasolina nos EUA. A escalada de tensões no Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 20% da produção mundial — aumentou a percepção de risco e fez as cotações dispararem. O barril de referência Brent passou de perto de US$ 70 para US$ 126 durante a escalada do conflito, antes de recuar para próximo de US$ 80 na terça-feira (4), com sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã.

O impacto sobre as fabricantes ficou evidente: juntas, ExxonMobil e Chevron registraram lucro de US$ 29 bilhões (R$ 147 bilhões) no segundo trimestre, mais de três vezes o valor do mesmo período do ano anterior.

Efeitos para consumidores e limitações das ações do governo

Consumidores relataram redução nas viagens de carro e maior uso de transporte público; pesquisa da Ipsos, divulgada pelo Washington Post e pela ABC News, indicou que 44% dos americanos diminuíram o número de viagens de carro por causa da alta no preço da gasolina. Especialistas consultados destacam que, apesar da retórica política, a capacidade do governo de alterar rapidamente o preço pago pelos consumidores é limitada, porque o mercado doméstico continua fortemente influenciado pelas cotações internacionais, pela estrutura de refino e pelos custos de distribuição.

O coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ, Nivaldo de Castro, explicou que a queda nas cotações internacionais não se traduz de imediato para o consumidor, devido a estoques e contratos em diferentes prazos.

Para a diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, há contradição entre a cobrança às petroleiras e a política externa dos EUA, já que conflitos internacionais tendem a elevar a percepção de risco e, consequentemente, o preço do petróleo.

O modelo de produção e refino nos Estados Unidos — com parte das refinarias adaptadas a tipos de petróleo mais pesados e a importação de outros tipos de cru — também contribui para que o preço interno acompanhe as oscilações do mercado internacional.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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