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quarta-feira, agosto 5, 2026

Por que recebemos tantas ligações indesejadas e como reduzir esse problema

Origem do problema

Uma disputa entre operadoras e a Anatel sobre um sistema de bloqueio revela a dificuldade de definir quando uma chamada deve ser interrompida já na origem. Pelo menos sete empresas procuraram a Agência Nacional de Telecomunicações para reclamar que ligações legítimas foram derrubadas pelo mecanismo anti-spam da Vivo, que afirma bloquear apenas chamadas em massa sem identificação.

Como funcionam as chamadas indesejadas

Grande parte das chamadas incômodas é automatizada e não há atendente do outro lado: são as chamadas conhecidas como “robocalls”, que costumam ficar sem som e cair após alguns segundos. Isso ocorre porque empresas disparam simultaneamente centenas ou milhares de chamadas; quando alguém atende, as demais conexões são encerradas. A prática também é usada para confirmar números ativos em listas de contatos. Em 2025, o Brasil registrou mais de 10 bilhões de robocalls por mês.

Autores dessas ligações ainda recorrem ao “spoofing” numérico, técnica que altera o número de origem para que pareça um telefone comum. A adulteração pode ser feita por servidores VoIP, que conectam a rede telefônica via internet e são usados tanto por empresas quanto por atores mal-intencionados. A Anatel chegou a exigir o prefixo 0303 para telemarketing, mas revogou a obrigatoriedade após constatar alta rejeição às chamadas com o prefixo.

Soluções já disponíveis

Consumidores podem se cadastrar no sistema “Não Me Perturbe” (www.naomeperturbe.com.br) — que envolve operadoras e 74 instituições financeiras que aderiram voluntariamente — e o bloqueio passa a valer em até 30 dias. No entanto, golpistas e empresas que ignoram o cadastro podem continuar a ligar.

Recursos nativos de telefones também ajudam: celulares Android geralmente trazem opções de identificação e bloqueio de spam nas configurações, sob nomes como “Proteção ID” ou “Spam”. IPhones oferecem o recurso “Perguntar motivo da ligação”, que roteia chamadas para um atendimento automático. Aplicativos terceirizados, como Whoscall e Truecaller, identificam e bloqueiam números, embora cobrem por funcionalidades avançadas. Como alternativa extrema, é possível bloquear números desconhecidos, o que pode, contudo, impedir o recebimento de chamadas importantes.

A Anatel orienta consumidores a registrar reclamações quando necessário e indica a plataforma “Qual Empresa Me Ligou” (www.qualempresameligou.com.br) para consultar o nome e CNPJ do responsável pela ligação.

O que muda com o “Origem Verificada”

O sistema chamado “Origem Verificada” autentica chamadas em tempo real, atestando que o número exibido pertence a uma empresa legítima. Em junho de 2026, a ABR Telecom informou que o mecanismo autenticou 6,6 bilhões de chamadas. A Anatel obriga, desde já, que empresas que realizam mais de 500 mil ligações mensais passem a usar o sistema, mas a exigência para que todas as empresas adotem a autenticação só entra em vigor em outubro de 2028. A identificação com nome e logotipo da companhia será opcional.

O serviço utiliza o protocolo internacional STIR/SHAKEN e consulta o banco de dados da ABR Telecom. Atualmente, 63 empresas de telefonia participam, incluindo Vivo, Claro, TIM e Algar. Para que o selo e a identificação funcionem no aparelho do consumidor é necessário ter conexão 4G ou 5G e versões mínimas de sistema: iPhone com iOS 18.2 ou superior e celulares Android a partir do Android 11 (com aparelhos Samsung compatíveis a partir do Android 10).

Enquanto a adoção plena não ocorre, a combinação de cadastros, recursos do próprio celular, aplicativos de terceiros e registro de reclamações é a principal forma de reduzir a quantidade de chamadas indesejadas.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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