28.2 C
Uberlândia
quarta-feira, agosto 5, 2026

Polícia realiza buscas em escritórios da Starbucks na Coreia do Sul após campanha polêmica sobre tanques

A polícia sul-coreana realizou buscas nesta quarta-feira (5) nos escritórios da operadora local da Starbucks, informou à AFP a própria empresa. A ação faz parte de uma investigação aberta após uma campanha publicitária ser acusada de difamar ativistas mortos durante os protestos pró-democracia em Gwangju, em 1980.

Um grupo da sociedade civil e familiares das vítimas apresentou queixa contra integrantes do Grupo Shinsegae, responsável pela operação da Starbucks na Coreia do Sul, acusando-os formalmente de difamação. As diligências policiais representam o mais recente capítulo da crise, que já levou a empresa a pedir desculpas publicamente, a demitir o CEO da filial sul-coreana e a promover treinamentos obrigatórios para funcionários.

A controvérsia começou em 18 de maio, quando a Starbucks Korea lançou uma campanha para divulgar uma nova linha de copos térmicos de grande capacidade chamada “SS Tank”. O material promocional chegou a classificar a data como “Tank Day” (“Dia do Tanque”), coincidindo com o 46º aniversário do Levante de Gwangju.

Contexto histórico e reação pública

O Levante de Gwangju, ocorrido em maio de 1980, envolveu protestos de estudantes e moradores contra a ditadura militar, que foram reprimidos com o envio de soldados, tanques e veículos militares às ruas. O balanço oficial registra 165 civis mortos, embora grupos de direitos humanos digam que o número pode ser maior. A campanha publicitária foi amplamente criticada por banalizar um episódio considerado símbolo da luta pela democracia na Coreia do Sul e por desrespeitar a memória das vítimas.

Críticos também apontaram que o anúncio usou o slogan “Bata na mesa!”, expressão associada a uma frase empregada por autoridades em 1987 ao tentar encobrir a morte sob tortura do estudante e ativista Park Jong-chol, cujo falecimento ajudou a impulsionar os protestos que culminaram na redemocratização do país.

Em reação à repercussão negativa, o Grupo Shinsegae retirou a campanha do ar poucas horas após o lançamento. O CEO da Starbucks Korea foi demitido, e Chung Yong-jin, presidente do grupo, divulgou um pedido público de desculpas, reconhecendo a gravidade do incidente.

Em junho, a rede anunciou medidas para recuperar a imagem: pela primeira vez desde a chegada à Coreia do Sul, em 1999, todas as mais de 2.000 lojas do país encerraram o expediente mais cedo para que funcionários participassem de um treinamento obrigatório sobre história e sensibilidade social. Executivos e empregados da sede acompanharam aulas ministradas por professores de história e sociologia, enquanto os demais colaboradores assistiram à gravação dessas sessões.

A Coreia do Sul é o terceiro maior mercado da Starbucks no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, o que ampliou a visibilidade da crise enfrentada pela companhia no país.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também