Brasília, 23 de abril — O dólar iniciou o pregão desta quinta-feira (23) em recuo e, às 9h, era negociado a R$ 4,9635, queda de 0,13%. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, estava programado para abrir às 10h.
Mercado pressionado por eventos no Estreito de Ormuz e alta do petróleo
A nova escalada de tensão no Oriente Médio, com episódios envolvendo embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, influenciou o comportamento do mercado. A Guarda Revolucionária do Irã informou ter apreendido dois navios de carga e efetuado disparos contra uma terceira embarcação na região, em mais uma demonstração de força.
Em paralelo, a Marinha dos Estados Unidos relatou ter obrigado 27 navios a recuar após um bloqueio imposto a portos iranianos. O fechamento do canal, que completou dez dias nesta quarta-feira, renovou preocupações sobre a oferta global de petróleo e possíveis impactos na inflação internacional.
Por volta das 8h45 (horário de Brasília), o Brent subia 0,97%, cotado a US$ 102,81 por barril.
No plano doméstico e internacional, investidores monitoravam ainda indicadores dos Estados Unidos. Para esta quinta-feira, estava prevista a divulgação dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, com expectativa em torno de 210 mil solicitações, além dos números relacionados a exportações de grãos norte-americanas ao longo da manhã.
Cenário político e geopolítico
Em meio ao conflito, os Estados Unidos optaram por estender, por tempo indeterminado, um cessar-fogo com o Irã, medida anunciada pelo presidente Donald Trump atendendo a um pedido do primeiro‑ministro do Paquistão, que atua como mediador. A trégua foi mantida até que o governo iraniano apresente uma proposta unificada para retomar as negociações de paz.
Apesar da suspensão de ataques diretos, Washington manteve o bloqueio naval no Estreito de Ormuz — ação vista por Teerã como provocação. Autoridades iranianas reagiram com desconfiança e afirmaram que não pretendem reabrir o estreito enquanto a restrição americana permanecer. A retomada das negociações sofreu atrasos devido à falta de resposta iraniana, ampliando a incerteza sobre um acordo.
Dados de mercado e outros desdobramentos
Na semana, o dólar acumulava queda de 0,19%; no mês, recuo de 3,95%; e no ano, desvalorização de 9,38%. O Ibovespa registrava perda semanal de 1,45%, alta de 2,89% no mês e avanço de 19,71% no ano.
O cenário político interno também avançava em pautas legislativas: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados poderia votar um parecer favorável ao prosseguimento de propostas que visam alterar a jornada conhecida como escala 6×1. Se aprovadas, as propostas seguiriam para uma Comissão Especial e depois ao plenário. No momento, há mais de uma proposta que altera a jornada de trabalho, majoritariamente fixada em 44 horas semanais; em fevereiro, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), determinou a tramitação conjunta das propostas de Erika Hilton (PSOL‑SP) e Reginaldo Lopes (PT‑MG). O governo federal também apresentou um projeto de lei sobre o tema, diante da avaliação de tramitação mais célere em comparação com PECs, que exigem ao menos 308 votos na Câmara.
Nos mercados externos, as bolsas dos EUA operavam em leve alta: por volta das 13h25 (horário de Brasília), o Dow Jones subia 0,64%, o S&P 500 avançava 0,78% e o Nasdaq crescia 1,25%. Na Europa, o STOXX 600 caiu 0,35% e o CAC 40 recuou 0,96%. Na Ásia, o desempenho foi misto, com Hang Seng em baixa de 1,22% e índices chineses em alta.
Fonte: G1


