Transmissão: Globo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quinta-feira (6) preocupação com a trajetória da dívida pública brasileira, durante entrevista exclusiva à GloboNews. Segundo ele, a dívida avançou mais de 10 pontos percentuais no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alcançou o maior nível desde 2021.
Durigan afirmou que, caso o governo seja reeleito, a prioridade será melhorar o perfil das contas públicas nos próximos quatro anos por meio de controle de despesas e redução de benefícios fiscais vigentes. “Têm números que mostram resultado do ano, olhar o orçamento, fazer os cortes, bloqueios, que a gente tem feito. O que aparece como preocupante é a projeção para a dívida para frente. Sei lidar com o fiscal de forma melhor, fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas”, disse o ministro.
Ele negou que o país viva um cenário de descontrole fiscal, citando melhora nos últimos anos e o cumprimento de metas, embora admitindo que as contas ainda estejam no vermelho. Durigan também reconheceu dificuldade em relação à rolagem da dívida pública — a emissão de novos títulos para pagar títulos que estão vencendo — e mencionou obstáculos recentes enfrentados pelo Tesouro Nacional para emitir papéis com juros reais de 8% ao ano.
Analistas, conforme citado pelo ministro, relacionam a resistência do mercado à compra desses títulos ao aumento dos gastos públicos e ao elevado nível de endividamento, elementos que teriam aumentado a desconfiança dos investidores.
Durigan ressaltou que a política fiscal é a variável sob controle do governo para enfrentar o problema dos juros e reduzir o endividamento. Ele avaliou que o comportamento das contas públicas influencia o patamar da taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano, e apontou levantamento da MoneYou que indica ser essa, em termos reais, a maior taxa de juros do mundo.
O ministro também citou fatores externos, como conflitos militares e a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, como influências sobre os juros de longo prazo brasileiros. “Há um desafio de entender para onde o mundo vai. Vamos ter guerra, choque do petróleo? Arcabouço fiscal veio para ficar, precisamos reforçar nosso fiscal. Não reputo má vontade [por parte do mercado com o governo], mas um grau de incerteza, e ansiedade no momento de eleição, para tomada de decisão sobre o mercado tomar juros de longo prazo. É isso que está em jogo”, afirmou.
Durigan concluiu afirmando que o compromisso do governo é “fazer todo possível do ponto de vista fiscal para endereçar a questão dos juros [altos] nos próximos anos” e ressaltou: “Juro machuca muito a economia, não só o governo”.
Fonte original: G1


