Ministro da Fazenda afirma que governo federal tem atuado e responsabiliza DF por informações pendentes
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, repudiou nesta quinta-feira (6) a acusação de “inércia” feita pelo governo do Distrito Federal sobre as tratativas para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões destinado a recompor o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). A reclamação do governo local, chefiado por Celina Leão (PP), foi dirigida ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que homologou um acordo no final de maio e convocou nova audiência de conciliação para a próxima semana.
Durigan afirmou que a acusação “gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que vêm viabilizando o acordo”, ressaltando que as informações ainda necessárias para concluir o ajuste são de responsabilidade do próprio governo do DF. Em declaração pública, o ministro disse: “E eu aqui gostaria de rechaçar: não há nenhuma inércia. Inclusive, há contribuição da União com algo que não tem a ver com a União, é todo do DF. Estarei na audiência pública para levar, inclusive, essa fala de indignação das equipes. Essa insatisfação atrapalha o andamento.”
Ofício do DF ao STF
Pela determinação de Fux, devem comparecer à audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal. O Banco do Brasil também deverá enviar um representante em nome do consórcio de bancos que avalia a concessão do empréstimo.
Contexto da crise do BRB
A crise do BRB decorre de operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes bilionárias envolvendo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de permitir negócios com o Master sem lastro e sem práticas adequadas de governança.
Medidas e plano de capitalização
O prazo de 180 dias para execução do plano de capitalização apresentado ao Banco Central em 6 de fevereiro terminou recentemente, porém ações de maior impacto previstas no documento ainda não foram integralmente implementadas. Entre as medidas anunciadas pelo BRB estão responsabilizações cíveis de ao menos 12 ex-gestores, pedidos de bloqueio de bens de antigos sócios do Master e a ampliação do capital social do banco, aprovada em assembleia.
O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, em razão da fragilidade provocada pelas operações com o Master. O acordo com o fundo Quadra Capital, que previa negociação de outros R$ 15 bilhões em ativos, foi desfeito em junho. O empréstimo de até R$ 6,6 bilhões segue pendente e é o principal ponto a ser discutido na audiência convocada por Fux.
Fonte: G1


