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sábado, agosto 8, 2026

Produção pioneira de ostras enlatadas em SC busca reduzir impactos das instabilidades na maricultura

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveram um processo que resultou na primeira produção comercial de ostras em lata no Brasil. O objetivo é oferecer aos visitantes de Florianópolis uma opção para levar para casa a gastronomia local e, ao mesmo tempo, dar aos maricultores uma alternativa para enfrentar as variações de produção provocadas pelo clima.

Santa Catarina é responsável por 98% da produção nacional de ostras e mexilhões, atividade que foi implantada em Florianópolis na década de 1980 e hoje movimenta a economia local, fomenta o turismo e gera renda para centenas de famílias.

A iniciativa partiu do chef Helton Costa, de Florianópolis, que idealizou a enlatagem como forma de permitir que turistas presentesiem ou recordem a viagem com frutos do mar locais. Segundo os envolvidos, foram necessários um ano e meio de pesquisas e testes até o processo chegar ao estágio comercial.

Além de ostras e mexilhões, o método vem sendo adaptado para outros produtos como lulas, polvos e bacalhaus. Uma das principais dificuldades apontadas foi preservar o sabor, a textura e o aspecto visual dos moluscos após o processamento. Enquanto os cientistas da UFSC definiram parâmetros microbiológicos e de esterilização, os chefs trabalharam para manter a qualidade sensorial dos enlatados.

O preparo inclui etapas de classificação, aquecimento e pesagem antes do envase. A etapa final é realizada por uma máquina capaz de esterilizar o alimento já na lata; pesquisadores determinaram as combinações exatas de temperatura, pressão e resfriamento necessárias para cada produto, assegurando a segurança sanitária e a eliminação de microrganismos capazes de se desenvolver durante o armazenamento, conforme explicou o pesquisador Giustino Tribuzi, da UFSC.

A indústria instalada no bairro Saco Grande obteve certificação do Serviço de Inspeção Municipal de Florianópolis, órgão encarregado de verificar padrões de qualidade de produtos de origem animal no município. De acordo com a prefeitura, trata‑se da primeira indústria no país dedicada a ostras e mexilhões enlatados.

Os produtos já estão à venda, com preços entre R$ 79,12 e R$ 99,23 por lata, a depender do molusco escolhido. As opções comerciais incluem lulas, mexilhões, polvos e ostras.

Para especialistas, a diversificação de formas de processamento e embalagem pode agregar valor à produção e abrir novos mercados. Felipe Suplicy, pesquisador da Epagri, afirmou que essa variedade permite atender mercados diferenciados. O setor enfrenta desafios com instabilidades climáticas: em abril deste ano houve uma crise histórica atribuída principalmente ao aumento da temperatura da água do mar, que afetou negativamente a produção de moluscos.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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