Avanço entre jovens eleva preocupações sobre saúde respiratória e câncer
O aumento acelerado do consumo de cigarros eletrônicos (vapes e pods) entre adolescentes brasileiros tem gerado um quadro de lesões respiratórias precoces e acendido um alerta sobre o risco futuro de doenças pulmonares crônicas e câncer. A mobilização ocorre neste Agosto Branco, mês dedicado à prevenção do câncer de pulmão, diante da popularização de aromas artificiais e da percepção equivocada de que o dispositivo seria inofensivo.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2024, divulgada pelo IBGE, apontam que 29,6% dos estudantes entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos, ante 16,8% registrados em 2019. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) ressalta que os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF) contêm nicotina, metais pesados e diversas substâncias tóxicas e cancerígenas.
Especialistas destacam relatos clínicos e evidências laboratoriais que relacionam o uso de vapes a danos imediatos. Segundo o pneumologista Dr. Bruno Horta, da Rede Mater Dei de Saúde, prontos-socorros têm recebido jovens com dispneia intensa e inflamações agudas, e a ideia de “vapor inofensivo” é enganosa. Estudos epidemiológicos, diz o médico, mostram associação entre o uso de cigarros eletrônicos e o desenvolvimento de asma e DPOC, além de resultados experimentais que apontam para efeitos adversos em processos biológicos fundamentais, maior suscetibilidade a infecções respiratórias e alterações na expressão genética.
Porta de entrada para o tabagismo convencional e implicações oncológicas
O câncer de pulmão permanece entre os tumores com maior letalidade no país, e o tabagismo segue como principal fator de risco. A adoção precoce de vapes preocupa por potencialmente reverter avanços na redução da mortalidade relacionada ao tabaco, uma vez que esses dispositivos podem facilitar a transição ao cigarro tradicional.
Pesquisas citadas indicam que adolescentes sem histórico prévio de tabagismo que passam a usar cigarros eletrônicos têm maior probabilidade de continuar fumando cigarros convencionais dois anos após o início do uso. Outro estudo aponta que o uso de vape na adolescência pode aumentar em até 30 vezes a chance de iniciar o consumo do cigarro convencional.
A oncologista Dra. Aknar Calabrich, da mesma rede de saúde, alerta que a inalação precoce de substâncias carcinogênicas presentes nos pods acelera o processo de mutações celulares. Ela destaca ainda que usuários que fazem uso simultâneo de cigarros eletrônicos e combustíveis apresentam maior incidência de sintomas cardiopulmonares e pior prognóstico.
Orientação para famílias e avanços no tratamento
Os dispositivos entregam doses elevadas de nicotina, com risco de dependência rápida no cérebro em desenvolvimento dos adolescentes. Os especialistas orientam que as famílias adotem diálogo aberto e sem julgamentos, evitem apenas proibições que incentivem o consumo sigiloso e busquem suporte médico e psicológico quando houver sinais de dependência.
Paralelamente, o Agosto Branco também destaca progressos no diagnóstico e no tratamento do câncer de pulmão. Na Rede Mater Dei de Saúde, por exemplo, há uso de inteligência artificial para análise de exames de imagem e detecção precoce de nódulos, além da adoção de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e cirurgia robótica que visam ressecções mais precisas, internações mais curtas e recuperação acelerada. A oncologia contemporânea conta ainda com terapias sistêmicas que ampliaram a sobrevida, mas os especialistas reiteram que a prevenção continua sendo a medida mais eficaz para reduzir novos casos.
Sobre a Rede Mater Dei de Saúde: rede com 46 anos de atuação, que declara foco na centralidade do paciente, uso de tecnologia e governança clínica e corporativa. A instituição informa atuação em diversas unidades, incluindo hospitais em Minas Gerais, Bahia e Goiás.
Unidades: Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho; Hospital Mater Dei Contorno; Hospital Mater Dei Betim-Contagem; Hospital Mater Dei Nova Lima; Hospital Mater Dei Santa Genoveva; CDI Imagem; Hospital Mater Dei Santa Clara. Bahia: Hospital Mater Dei Salvador; Hospital Mater Dei Emec. Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia.
Referências:
IBGE — PeNSE 2024 (consumo de cigarro eletrônico entre jovens)
INCA — Dispositivos Eletrônicos para Fumar: conheça os danos
G1 — Uso de vape entre adolescentes aumenta risco de tabagismo em 30 vezes


