34.1 C
Uberlândia
segunda-feira, agosto 10, 2026

Golpe de diplomas no Paraguai atraía estudantes por intermediários em vários estados do Brasil, dizem autoridades

Faculdade paraguaia sem registro vendia mestrados e doutorados a brasileiros

Quem: Centenas de brasileiros, intermediários no Brasil e o empresário identificado como responsável pela instituição no Paraguai, além de autoridades do Paraguai e do Brasil.

O quê: A denominada Faculdade Interamericana de Ciências Sociais (FIX) oferecia mestrados e doutorados a brasileiros, mas não tinha registro no órgão paraguaio responsável pelo ensino superior, segundo investigações. O esquema vinha sendo promovido por intermediários em diferentes estados do Brasil e está sob apuração por autoridades dos dois países.

Onde: A FIX operava a partir de Assunção, no Paraguai, e havia divulgação e recrutamento no Brasil, com atuação de intermediários em estados como o Ceará e investigações também na Paraíba e Alagoas.

Como: Intermediários anunciavam cursos em áreas como educação, direito e saúde. Um dos divulgadores no Brasil, Radamese Lima, apresentava‑se como professor e representante de uma assessoria acadêmica no Ceará, afirmando que diplomas emitidos poderiam ser reconhecidos por universidades brasileiras e que já havia mais de uma centena de validações. Autoridades apuram que parte dos reconhecimentos ocorreu com base em documentação depois considerada irregular.

Relatos de estudantes indicam que as aulas eram majoritariamente on‑line, em português, com encontros semanais. Para cumprir exigências de revalidação no Brasil, muitos alunos foram orientados a viajar ao Paraguai; no entanto, diversas pessoas fizeram apenas uma única passagem pelo país durante todo o curso. Em uma operação em um hotel de Assunção, promotores ouviram estudantes que disseram ter realizado ali apenas a apresentação de teses e que não retornaram ao Paraguai desde o início dos estudos. Cerca de 300 brasileiros estavam no local no momento da ação, segundo o Ministério Público paraguaio, que trata os estudantes como vítimas.

Por que: O Ministério Público do Paraguai concluiu que a FIX não possui registro no Conselho Nacional de Ensino Superior do Paraguai e, portanto, não existe legalmente como instituição habilitada a emitir os títulos anunciados. A investigação detectou graves irregularidades em documentos apresentados para justificar os cursos, com carimbos, assinaturas e outros papéis considerados falsos pelo Ministério da Educação paraguaio.

Ao visitar a sede atribuída à FIX em Assunção, a equipe de reportagem encontrou o imóvel vazio e com aviso de busca e apreensão. As investigações também indicam que o empresário brasileiro Ismael Fenner usou, sem autorização, o nome do ISICS, instituição reconhecida no Paraguai; os proprietários do ISICS denunciaram o uso indevido da marca.

O caso provocou prejuízos financeiros e profissionais a ex‑alunos. Uma estudante relatou ter gasto R$ 23 mil em um mestrado em neuropsicologia; outra afirmou prejuízo superior a R$ 40 mil após perder o reconhecimento do título. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) cancelou 218 diplomas ligados à instituição paraguaia, citando indução ao erro por documentos falsificados. Ainda assim, a plataforma Carolina Bori registrava mais de 800 títulos da FIX reconhecidos por outras instituições brasileiras.

Em relação aos responsáveis, as autoridades paraguaias decretaram a prisão de Ismael Fenner, que está em prisão domiciliar na região metropolitana de Assunção, e ele foi indiciado pela Polícia Federal brasileira no inquérito sobre os diplomas da FIX. Em nota, Fenner alegou perseguição de empresários do setor e afirmou disputar judicialmente a propriedade do ISICS; a defesa reconheceu que os direitos sobre a instituição estão suspensos.

O Ministério da Educação do Brasil informou que acompanha o caso por meio da plataforma Carolina Bori e tem notificado universidades sobre os desdobramentos, ressaltando que medidas administrativas dependem da conclusão dos processos que apuram as irregularidades. Autoridades paraguaias afirmaram ainda que o episódio motivou revisão nos mecanismos de emissão e controle de diplomas no país. O Fantástico apurou que pelo menos outras 13 faculdades estrangeiras anunciam ofertas semelhantes para brasileiros, a maioria localizada nos Estados Unidos, e que grupos mudam de instituição conforme aumenta a fiscalização.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também