Anthropic negocia compra da Decart AI por cerca de US$ 6 bilhões
A Anthropic, criadora do chatbot Claude, está em negociações para adquirir a startup israelense Decart AI em um acordo que pode chegar a aproximadamente US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões), informou a agência Bloomberg. As conversas estão em estágio inicial, segundo a reportagem.
A Decart AI desenvolve tecnologias de infraestrutura destinadas a acelerar e tornar mais eficientes modelos de inteligência artificial. A empresa também constrói seus próprios sistemas de IA e conta com a Nvidia entre seus investidores.
Em maio, a Decart captou US$ 300 milhões em uma rodada liderada pela Radical Ventures, com participação de novos investidores como a Nvidia e outros nomes como Adobe, Amazon e Toyota Ventures. Após essa rodada, a avaliação da startup passou a ser de cerca de US$ 4 bilhões.
Se a aquisição for concluída, a expectativa é de que a equipe da Decart seja integrada à área da Anthropic responsável por melhorar o desempenho e a eficiência dos modelos de IA, de acordo com as informações divulgadas pela Bloomberg.
A possível operação ocorre enquanto a Anthropic amplia sua capacidade de processamento para atender ao aumento da demanda pelo Claude e se prepara para uma eventual oferta pública inicial (IPO). No início de junho, a empresa protocolou de forma confidencial um pedido de abertura de capital nos Estados Unidos, com valuation próximo de US$ 1 trilhão.
A Anthropic foi fundada em 2021 por Dario Amodei e outros ex-executivos da OpenAI que defendiam uma postura mais cautelosa no desenvolvimento da IA. O chatbot Claude foi disponibilizado ao público em março de 2023, cerca de cinco meses após o lançamento do ChatGPT, e se tornou um dos concorrentes diretos do ChatGPT e do Gemini.
Entre os produtos da Decart estão o Lucy, descrito como um modelo capaz de editar vídeos em tempo real, e o Oasis, plataforma que cria ambientes virtuais para treinar e testar robôs e sistemas de direção autônoma.
Nos últimos meses, a Anthropic vem reforçando investimentos em infraestrutura. A empresa divulgou na semana passada a contratação de engenheiros especializados em hardware e software para colaborar no desenvolvimento de chips personalizados e de modelos de IA mais rápidos e eficientes.
Especialistas também têm alertado sobre os riscos crescentes associados aos modelos mais potentes da Anthropic. No início de 2026, a companhia anunciou o Claude Mythos, apontado por alguns especialistas como o modelo de IA mais perigoso atualmente, por sua capacidade de encontrar vulnerabilidades de segurança que passariam despercebidas por humanos.
A Anthropic afirmou que o Mythos Preview identificou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo em sistemas operacionais e navegadores. Em razão dos riscos, a ferramenta não foi liberada ao público e seu acesso foi restrito a um consórcio formado por empresas e agências governamentais, com participação de Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla.
Como exemplo do uso controlado do Mythos, a Mozilla relatou que, ao empregar uma versão inicial do Claude Mythos Preview para analisar o navegador Firefox, foram identificadas dezenas de falhas. A versão 150 do Firefox incluiu correções para 271 vulnerabilidades apontadas durante essa avaliação.
Fonte original: G1


