René Redzepi, 48 anos, voltou ao restaurante Noma, em Copenhague, menos de cinco meses depois de ter anunciado sua saída da casa que ajudou a fundar e que figura entre os mais bem avaliados do mundo. O retorno, no entanto, não inclui o comando da cozinha: segundo reportagem do The Wall Street Journal, Redzepi vai ocupar a função de diretor criativo.
A volta ocorre após uma série de denúncias publicadas em março pelo jornal norte-americano The New York Times, nas quais dezenas de ex-funcionários acusaram o chef de promover uma cultura de trabalho abusiva. As queixas descrevem agressões, humilhações e um ambiente considerado tóxico por parte da liderança.
Entre as narrativas relatadas na reportagem, funcionários afirmaram ter sofrido ameaças verbais e maus-tratos físicos. Um ex-trabalhador declarou que o chef “batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”.
Os relatos também destacaram jornadas de trabalho extremamente longas na cozinha do Noma, frequentemente superiores a 12 horas e, em períodos de maior intensidade, chegando a 16 horas por dia. Segundo ex-integrantes da equipe, grande parte do quadro era composta por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração, apesar da carga intensa de tarefas.
As acusações tiveram efeitos imediatos nos planos do restaurante. Duas patrocinadoras anunciaram a retirada do apoio a uma temporada de jantares do tipo “pop-up” que o Noma planejava realizar em Los Angeles. A American Express e a startup de hospitalidade Blackbird informaram que deixariam de patrocinar o evento, cujo ingresso custava US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil) por pessoa e já estava com todas as reservas esgotadas.
Ambas as empresas afirmaram que reembolsariam clientes que adquiriram ingressos por meio delas e que doariam o valor arrecadado a organizações voltadas à defesa de trabalhadores do setor de restaurantes.
Redzepi esteve à frente do Noma por mais de duas décadas e sua saída inicial, anunciada alguns meses antes, havia surpreendido o meio gastronômico. O retorno com mudança na posição ocorre em meio às apurações e às repercussões desencadeadas pelas denúncias.
Fonte: G1 – Empreendedorismo


