32.1 C
Uberlândia
sexta-feira, agosto 14, 2026

China planeja enviar cães-robôs à Lua para ajudar na construção de estação lunar até 2035

A China pretende levar cães-robôs à superfície lunar para auxiliar astronautas na construção e operação da futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), segundo reportagem do South China Morning Post com base em estudo de cientistas da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial publicado na revista Chinese Space Science and Technology.

O projeto prevê uma equipe de três astronautas trabalhando em conjunto com robôs. Na proposta descrita pelos pesquisadores, um dos tripulantes controlaria, a partir de solo, dois cães-robôs; outro coletaria amostras de rochas e realizaria objetivos científicos; e o terceiro permaneceria dentro de um veículo pressurizado do tamanho de uma van, coordenando a missão e comandando outros robôs conforme necessário.

Além de apoiar atividades externas, os robôs teriam papel central na extração de recursos locais: busca e recolhimento de gelo de água, mineração, uso de materiais in loco para construções e adaptação de tubos de lava — túneis subterrâneos formados quando a lava escoa e o interior da cavidade fica oco — para abrigos humanos.

Os pesquisadores descrevem uma arquitetura em que uma rede colaborativa de robôs quadrúpedes, veículos com rodas e braços articulados executaria tarefas rotineiras como patrulhas, inspeções diárias, regulação do ar e da temperatura, limpeza de áreas habitáveis, cuidados com plantas e preparação de refeições. Publicações como a Interesting Engineering comentaram, de forma irônica, que o cão robô também vigiaria a estação — “Mas vigiará de quem?” — ressaltando a novidade do uso desses aparelhos como companhia e apoio psicológico aos tripulantes.

Segundo o estudo, os cães-robôs poderiam interagir verbalmente com os astronautas para reduzir o isolamento e o estresse decorrentes da permanência em ambiente fechado. Os autores afirmam que o modelo de colaboração entre humanos e máquinas permitiria aproveitar pontos fortes complementares, servindo como referência para a construção e operação da estação.

A China planeja enviar astronautas à Lua antes de 2030 e ter a ILRS totalmente operacional até 2035, em colaboração com a Rússia e outros parceiros internacionais, próxima ao polo sul lunar. A meta é, até 2045, estabelecer também uma estação orbital lunar para ampliar o complexo.

Cada módulo da estação teria cerca de três metros de diâmetro, volume interno aproximado de 16 metros cúbicos e massa em torno de dez toneladas, com estruturas projetadas para resistir à radiação, às temperaturas extremas e à poeira lunar, e conectados por corredores de acoplamento.

Antes das missões tripuladas, a China prepara a missão não tripulada Chang’e-7, com lançamento previsto para o final de agosto de 2026, cujo objetivo é procurar gelo de água no polo sul lunar, recurso considerado crucial para futuros moradores da base.

Os pesquisadores reconhecem dificuldades tecnológicas: grande parte dos sistemas de inteligência artificial foi treinada em ambientes terrestres que apenas simulam a superfície lunar, o que exigirá aperfeiçoamento em solo; e a futura base precisará criar do zero infraestrutura digital, como comunicações e navegação, para permitir a coordenação efetiva entre humanos e robôs a longas distâncias. Os autores concluem que a exploração lunar dependerá de decisões lideradas por astronautas combinadas com o trabalho de robôs autônomos.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também