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segunda-feira, setembro 21, 2026

Correios registram prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026, aponta balancete prévio

Balancete prévio indica resultado negativo no semestre

Dados preliminares do balancete contábil dos Correios, obtidos com exclusividade pelo G1, mostram um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre de 2026. No segundo trimestre deste ano, o déficit acumulado foi de aproximadamente R$ 2,2 bilhões.

O documento consultado é um demonstrativo provisório que retrata a situação das contas até determinado período — normalmente ao fim de mês, trimestre ou semestre. Segundo a comparação apresentada, o prejuízo do semestre é inferior ao apurado nos últimos dois períodos que mais pressionaram as contas da estatal: o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025, o que sinaliza um leve movimento de recuperação após o recorde de perdas registrado no início do ano.

Posicionamento dos Correios

Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão para a divulgação oficial das demonstrações contábeis. Em nota, os Correios informaram que não se manifestam sobre resultados antes da publicação formal e que as demonstrações financeiras estão em fase de consolidação, sendo divulgadas após aprovação pelas instâncias competentes, conforme procedimentos de governança da empresa.

Receitas e despesas

As receitas acumuladas até 30 de junho ficaram praticamente estáveis em relação ao mesmo intervalo de 2025, recuando cerca de R$ 28,2 milhões — de R$ 8,18 bilhões em 2025 para R$ 8,16 bilhões em 2026. As despesas, por sua vez, caíram de R$ 13,5 bilhões em 2025 para R$ 12,4 bilhões em 2026, redução de cerca de R$ 1,1 bilhão.

A estatal também projetava um cenário pior para o período, com gastos estimados em R$ 14,8 bilhões; o resultado apresentado ficou, portanto, aproximadamente R$ 1,2 bilhão abaixo dessa previsão.

Desempenho por segmentos

Entre os segmentos, houve ganho relevante na prestação de serviços logísticos para empresas — que inclui preparo e envio de pedidos — com receita passando de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026.

Em contrapartida, as receitas com encomendas internacionais caíram para R$ 355 milhões no semestre, representando 4,3% do total, ante 22,2% anteriormente. A redução segue tendência observada desde a implementação do programa Remessa Conforme, lançado em 2023, que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — popularmente apelidado de “taxa das blusinhas”. Mesmo com o fim da chamada taxa, o programa Remessa Conforme permaneceu, e as receitas não voltaram a subir.

Despesas detalhadas

Os gastos com salários, um dos maiores desafios da empresa, caíram em R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 5,2 bilhões. Esse valor ficou 15% abaixo da previsão para esse grupo de despesas. Despesas vinculadas, como planos de saúde e previdência, também registraram economia de R$ 260 milhões em relação ao primeiro semestre de 2025.

Por outro lado, as despesas financeiras aumentaram 179%, passando de R$ 590 milhões em 2025 para R$ 1,6 bilhão em 2026, com acréscimo superior a R$ 700 milhões apenas no segundo trimestre e redução de cerca de R$ 225 milhões em relação ao primeiro trimestre de 2026. Nesse grupo estão juros e multas vinculados a boletos, contratos e empréstimos, incluindo os R$ 12 bilhões contratados pela estatal no fim de 2025; essa operação tem previsão de gerar R$ 22,4 bilhões em despesas com juros ao longo de sua vigência.

As provisões e perdas também permaneceram elevadas: o total até junho somou R$ 1,6 bilhão, aumento de 44,5% em relação a 2025 (R$ 1,1 bilhão). No primeiro trimestre, esse item havia sido responsável por um incremento de R$ 1,4 bilhão. Precatório é ordem de pagamento determinada pela Justiça quando há condenação a receber por pessoa física ou jurídica.

O balancete prévio obtido pelo G1 traz, assim, os principais números que explicam o prejuízo semestral da estatal, indicando reduções em algumas despesas e receitas setoriais, mas com elevações decisivas em custos financeiros e provisões.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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