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quarta-feira, agosto 19, 2026

Ações da Moderna sobem 90% após anúncio de vacina personalizada contra melanoma com resultados positivos

Quem e o que: As ações da Moderna subiram 90% no pregão pré-market nesta quarta-feira (19) após a empresa divulgar resultados preliminares positivos de uma terapia personalizada contra o melanoma, desenvolvida em parceria com a Merck.

Quando e onde: O anúncio foi feito nesta quarta-feira (19) por meio de comunicado conjunto das companhias.

Como funciona o tratamento: A terapia, chamada intismeran autogene, utiliza tecnologia de mRNA para gerar uma vacina sob medida a partir das mutações genéticas específicas de cada tumor. Uma amostra do câncer é sequenciada para identificar neoantígenos exclusivos daquele paciente; com base nisso, produz-se uma molécula de mRNA que codifica até 34 desses alvos. Injectada no paciente, essa vacina treina o sistema imunológico a reconhecer e atacar células que carregam as mutações. No estudo, a intismeran foi administrada em combinação com o imunoterápico Keytruda (pembrolizumabe), da Merck, que atua bloqueando a proteína PD-1 e permitindo resposta mais efetiva de linfócitos T.

Dados do estudo: A pesquisa incluiu 1.137 pacientes com melanoma cutâneo que haviam sido submetidos à cirurgia para remoção completa do tumor, mas permaneciam em risco de recidiva. Aproximadamente dois terços dos participantes receberam a combinação da vacina com Keytruda, enquanto um terço recebeu apenas o imunoterápico, por cerca de um ano. Em uma análise interina — realizada antes do término previsto do ensaio —, o grupo tratado com a combinação apresentou resultados estatisticamente superiores na sobrevida livre de recorrência e na sobrevida livre de metástase à distância em comparação ao grupo tratado apenas com Keytruda.

O estudo ainda está em andamento e não foi publicado. Moderna e Merck informaram que não divulgaram os percentuais exatos de redução de risco observados nesta análise preliminar. Em avaliação anterior de fase intermediária, a mesma combinação havia reduzido em 49% o risco de recorrência ou morte após cinco anos entre pacientes de alto risco, resultado alinhado com acompanhamento de três anos divulgado em 2023.

Segurança e desenvolvimento futuro: Segundo o comunicado, o perfil de segurança da combinação foi consistente com estudos prévios, sem novos sinais de risco identificados. A plataforma de mRNA empregada no desenvolvimento da intismeran é a mesma usada por Moderna na vacina contra a Covid-19, e a tecnologia está sendo testada em outros tumores por meio do programa INTerpath, que reúne nove estudos de Fase 2 e Fase 3 em andamento, incluindo câncer de pulmão de não pequenas células, câncer de bexiga e carcinoma de células renais, além de estudos iniciais para câncer de pâncreas, estômago e outro subtipo de tumor pulmonar.

Opinião de especialista: O oncologista Stephen Stefani comentou que vacinas customizadas ocupam espaço crescente na literatura médica, mas que os dados divulgados ainda precisam de avanços por outras etapas antes de alterar a prática clínica. Ele ressaltou que transformar essa estratégia em tratamento amplamente disponível depende de aspectos que não foram detalhados no comunicado, e que qualquer evidência de aumento da sobrevida global deverá ser analisada com atenção.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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