Fotos de um filhote de tucano-toco que circulam nas redes sociais chamaram atenção pela raridade do flagrante. A espécie, um dos símbolos da fauna brasileira, é pouco vista nessa fase inicial de vida, o que transformou as imagens em um registro incomum para observadores de aves. O tucano-toco ocorre em praticamente todo o território nacional, com exceção do litoral nordestino, e o Brasil abriga mais de vinte espécies de tucanos.
Por que o registro é raro
Os tucanos costumam nidificar entre a primavera e o verão, em locais protegidos como ocos de troncos ou cavidades naturais. Esses esconderijos dificultam a visualização dos filhotes nas primeiras semanas após a eclosão. A incubação dos ovos dura entre 15 e 18 dias, período em que o casal se alterna nos cuidados. Após o nascimento, os filhotes permanecem sendo alimentados e protegidos pelos pais por cerca de 45 dias, tempo médio necessário para desenvolver a habilidade de voar.
Como nasce e se desenvolve
Ao nascer, o filhote de tucano-toco não apresenta o bico proporcionalmente grande que caracteriza o adulto; essa estrutura cresce gradualmente e atinge o tamanho definitivo somente meses depois. A espécie leva, em média, cerca de quatro anos para alcançar a fase adulta, e a expectativa de vida gira em torno de 20 anos.
Dados e curiosidades
O tucano-toco é a maior e mais conhecida espécie do grupo nas florestas tropicais da América do Sul. Pode pesar quase 1 kg e atingir até 63 cm de comprimento, com o bico representando quase metade desse tamanho. Por sua aparência marcante, a ave é frequentemente usada em campanhas publicitárias. Entre povos indígenas, o tucano às vezes é associado a representações culturais ligadas ao universo espiritual. Ecologicamente, ao se alimentar de frutas e voar longas distâncias, a espécie contribui para a dispersão de sementes e a regeneração de áreas florestais.
Não é animal de estimação
Especialistas lembram que o tucano-toco não deve ser mantido como animal de estimação. Aves silvestres correspondem à maior parcela dos animais traficados no Brasil, representando 79,3% das espécies capturadas ilegalmente, e os tucanos estão entre as espécies mais frequentemente recebidas em centros de triagem e reabilitação. Por isso, registros como o do filhote divulgado recentemente devem ser observados à distância, sem tentativas de captura ou domesticação. O registro das imagens foi divulgado nas redes sociais e creditado ao fotógrafo Rafael Viana.
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