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quinta-feira, agosto 20, 2026

Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua e tem bens confiscados na China

Hui Ka Yan recebe pena máxima e empresas são multadas

O fundador da incorporadora Evergrande, Hui Ka Yan, foi condenado nesta quinta-feira (20/08) à prisão perpétua e teve todos os seus bens pessoais confiscados, informou o Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen. A decisão também incluiu multas aplicadas às antigas empresas ligadas a Hui, que somam 15,82 bilhões de yuans (R$ 11 bilhões), por crimes como falsificação de registros e ocultação de dívidas.

Hui, que em abril se declarou culpado de múltiplas acusações — entre elas apropriação indevida de bens e suborno corporativo —, foi responsabilizado pelo tribunal por perturbar seriamente o mercado imobiliário chinês e causar perdas econômicas significativas, segundo a corte.

Além da pena a Hui, outros executivos da Evergrande receberam sentenças variadas. A mídia estatal informou que os dois filhos do fundador, Xu Zhijian e Xu Tenghe, estão entre os condenados, com penas que vão de 22 meses a 18 anos de prisão.

Considerado em anos recentes o homem mais rico da Ásia, Hui Ka Yan — também conhecido como Xu Jiayin — viu sua fortuna e influência desmoronarem quando a Evergrande entrou em crise. Nascido em uma área rural e criado pela avó, Hui fundou a empresa em 1996 e conduziu sua expansão rápida por meio de empréstimos elevados. Em seu auge, a Evergrande chegou a ser a maior incorporadora da China, com valor de mercado superior a US$ 50 bilhões (R$ 258 bilhões).

O declínio da companhia se acelerou após a adoção, em 2020, de medidas por Pequim para controlar o endividamento no setor imobiliário. Incapaz de honrar juros e dívidas, a Evergrande passou a vender imóveis com grandes descontos e entrou em colapso em 2021, deixando centenas de projetos inacabados. Em audiência realizada em abril, o tribunal informou que milhões de dólares em financiamentos foram redirecionados para novos empreendimentos, contribuindo para os projetos inacabados.

Em março de 2024, Hui havia sido multado em US$ 6,5 milhões e proibido definitivamente de operar no mercado de capitais chinês, após a empresa admitir que superestimou sua receita em US$ 78 bilhões. As ações da Evergrande sofreram queda de 99% em avaliação de mercado antes de serem retiradas da bolsa de Hong Kong em agosto de 2025, após mais de 15 anos de negociação.

O colapso da Evergrande é frequentemente apontado como gatilho para uma recessão mais ampla no mercado imobiliário chinês, setor que já representava cerca de um terço do produto interno bruto do país no período de maior expansão. A crise afetou investidores, bancos e receitas de governos locais, e outras grandes construtoras também enfrentam dificuldades financeiras, mantendo impactos negativos sobre a segunda maior economia mundial.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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