São Paulo — A combinação de maior oferta de animais e demanda mais fraca na segunda quinzena de julho de 2026 levou o preço do suíno pronto para abate a cair ao terceiro menor patamar da série histórica nas praças monitoradas no estado de São Paulo, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP em Piracicaba.
O estudo, divulgado na última quinta-feira (20), mostra que a média do suíno vivo nas regiões acompanhadas pelo Cepea ficou em R$ 5,18 o quilo. No acumulado do ano, a desvalorização do animal vivo chega a 43,1% na comparação com as cotações reais de dezembro de 2035, e a carcaça especial registra queda de 36,2% no mesmo intervalo.
Pesquisadores do Cepea destacam semelhança do cenário atual com o observado em 2022. Naquele ano, o pior momento na praça equivalente foi em fevereiro, com média de R$ 5,97/kg em valores reais, já deflacionados pelo IGP-DI de jul/26.
O levantamento aponta que a pressão sobre os preços reduziu as margens do setor, provocando prejuízos entre os produtores e levando parte dos criadores independentes a encerrar atividades. As regiões que compõem a praça SP-5 acompanhada pela Esalq-USP incluem Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba.
Segundo o Cepea, a procura pela carne suína costuma diminuir na segunda metade do mês devido à menor capacidade de compra da população, e as férias escolares deste ano acentuaram a retração na demanda, contribuindo para a queda das médias apesar de aumentos verificados no começo de julho.
O centro de pesquisa descreve o quadro atual como surpreendente para o setor, que esperava forte demanda em 2026, seguindo o padrão de 2025. Além da demanda doméstica mais fraca, o Cepea atribui parte da maior oferta interna ao aumento de investimentos realizados em 2025, que elevaram a produção em 2026.
No recorte mensal, a carcaça especial suína vendida no atacado da Grande São Paulo fechou março de 2026 a R$ 10,06 o quilo, valor 2,8% menor que o de fevereiro. A competitividade da suína frente à carne bovina naquele mês foi explicada pela baixa liquidez na suinocultura durante a Quaresma e pelo aumento das exportações de carne bovina, cujo ritmo intenso vinha sendo observado desde 2025.
Em fevereiro de 2026, as cotações do suíno vivo nas regiões produtoras do interior paulista, incluindo Piracicaba, chegaram a cair até 20%. Naquele mês, a média do animal vivo foi de R$ 6,91/kg, ante R$ 8,24/kg em janeiro (queda superior a 16% na praça SP-5) e R$ 8,66/kg em fevereiro de 2025 (desvalorização de 20% na comparação anual).
Fonte: G1


