Quem: Arthur Sendas, empreendedor natural de Alagoas com acromatopsia, condição que causa ausência de percepção de cores e baixa acuidade visual.
O que: Ele fundou uma startup que desenvolveu um aplicativo para pessoas cegas ou com baixa visão capaz de descrever ambientes, identificar objetos e auxiliar na navegação. A empresa atingiu faturamento mensal de R$ 100 mil.
Quando e onde: A ideia teve origem durante a graduação em Análise de Sistemas aplicada à área da saúde, em Maceió. A virada para o modelo de negócio ocorreu em 2022, quando a startup foi selecionada pelo programa Startup Nordeste, do Sebrae.
Como: Na universidade, Arthur e o colega de turma Júnior — também com deficiência visual — desenvolveram um protótipo baseado em ecolocalização, técnica inspirada em morcegos e golfinhos. O primeiro dispositivo era um crachá equipado com sensores e motores de vibração que transmitiam sinais táteis ao usuário indicando direção e distância de obstáculos.
A seleção pelo Startup Nordeste, em 2022, trouxe mentorias e um aporte de R$ 78 mil para acelerar o desenvolvimento. Segundo Arthur, o apoio financeiro e técnico foi determinante para o avanço do projeto.
Desafios: A trajetória da empresa enfrentou dificuldades em 2023. Em outubro daquele ano, Júnior faleceu por problemas de saúde pouco antes do início das vendas. Dois meses depois, Arthur recebeu um diagnóstico de câncer na garganta, o que deixou a operação praticamente paralisada.
A retomada das atividades veio impulsionada por usuários. Uma mãe procurou Arthur pedindo que o dispositivo voltasse a funcionar para o filho, dependente da tecnologia, e isso motivou a continuidade do projeto. Posteriormente, a startup venceu uma competição de inovação, o que ajudou no retorno ao crescimento.
O produto hoje: A solução passou a rodar em celulares e combina recursos de inteligência artificial, ecolocalização e navegação por áudio 3D. O aplicativo descreve cenários, identifica pessoas e auxilia deslocamentos, transformando a maneira como usuários com baixa visão interagem com o ambiente.
Uma usuária, Jouciclecia Almeida, relata que, ao apontar a câmera do celular, o aplicativo consegue distinguir recipientes semelhantes, informando, por exemplo, qual é açúcar e qual é café. Para ela, o principal ganho foi a autonomia no dia a dia.
Metas e alcance: De acordo com Arthur, o objetivo central da empresa é promover autonomia aos usuários. Atualmente, o aplicativo conta com mais de mil assinantes e aproximadamente 100 mil cadastros relacionados a empresas e eventos.
O empreendedor afirma que pretende ampliar o alcance da tecnologia e continuar aprimorando o negócio, mantendo como foco a independência dos usuários assistidos pela solução.
Fonte: G1


