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sábado, setembro 19, 2026

Estudo indica que IA pode estar freando ritmo de alta dos salários antes de reduzir empregos, diz pesquisa

IA pode estar comprimindo crescimento salarial sem provocar, por enquanto, queda generalizada de empregos

Um estudo da gestora norte-americana Apollo Global Management aponta que a introdução massiva de ferramentas de inteligência artificial tem associado-se, por agora, a uma desaceleração no crescimento dos salários em ocupações mais expostas, sem evidência estatisticamente robusta de eliminação generalizada de vagas.

A pesquisa avaliou dados de remuneração, mercado de trabalho e uso efetivo de IA em 321 ocupações nos Estados Unidos. Segundo os autores, após a popularização de modelos como ChatGPT e Claude, trabalhadores em atividades mais expostas à IA apresentaram um crescimento salarial 6,7 pontos percentuais menor do que o observado em ocupações menos expostas.

O efeito é mais pronunciado entre profissionais de menor renda: nesse segmento, a perda relativa no avanço dos salários atingiu 10,7%. O estudo ressalta, porém, que isso não significa que os salários tenham caído de forma absoluta; o que se verificou foi um ritmo de crescimento inferior ao de ocupações com menor exposição à tecnologia.

Os pesquisadores usaram o Anthropic Economic Index — criado a partir de milhões de interações reais com o Claude, modelo da Anthropic — para mensurar exposição. O indicador estima a parcela das tarefas de cada profissão que já aparece sendo realizada com auxílio de IA. Foram identificadas 11 ocupações com índice igual ou superior a 0,5, limiar considerado de alta exposição:

  • Programadores (0,75)
  • Atendentes de customer service (0,70)
  • Digitadores e profissionais de entrada de dados (0,67)
  • Especialistas em prontuários médicos (0,67)
  • Analistas de mercado e marketing (0,65)
  • Transcritores médicos (0,64)
  • Representantes de vendas não técnicas (0,63)
  • Arquitetos de banco de dados (0,58)
  • Analistas financeiros e de investimentos (0,57)
  • Analistas e testadores de qualidade de software (QA) (0,52)
  • Assistentes estatísticos (0,51)

O padrão de exposição tende a concentrar-se em ocupações que lidam predominantemente com informação, documentos, textos, análise de dados, atendimento ou produção de conhecimento — áreas onde ferramentas de IA podem auxiliar diretamente nas tarefas rotineiras.

Embora o ranking de exposição liste profissões susceptíveis a uso intenso de IA, isso não implica automaticamente desempenho negativo em emprego ou salários para todas elas. Entre as ocupações com maior exposição, houve resultados mistos: alguns cargos registraram expansão no número de trabalhadores, outros redução; alguns tiveram alta salarial, outros queda.

Como exemplo de variações apontadas no estudo: analistas financeiros e de investimentos, apesar da elevada exposição, registraram aumento de 16,9% no emprego entre 2022 e 2024. Por outro lado, programadores — com maior índice de exposição — tiveram redução de 17,2% no contingente de trabalhadores e queda salarial real de 6,1% no mesmo período.

Quando o foco é a variação salarial observada entre 2022 e 2024, as maiores reduções reais registradas foram: locutores de rádio e DJs (-52,1%), técnicos de radiodifusão (-29,5%), diretores musicais e compositores (-17,8%), técnicos de instrumentos de precisão (-15,0%) e árbitros e mediadores (-14,1%), entre outros.

Nas variações de emprego, as quedas mais acentuadas no período foram: vendedores porta a porta e jornaleiros (-46,9%), fabricantes de moldes em madeira (-45,5%), artistas de efeitos especiais e animadores (-40,9%), legisladores (-38,2%) e técnicos de instrumentos de precisão (-37,8%), entre outros listados pelos autores.

A conclusão central do estudo decorre de um modelo estatístico que comparou grupos de ocupações mais e menos expostas antes e depois da difusão da IA generativa. Nele, as ocupações de alta exposição apresentaram crescimento salarial mais fraco que o restante do mercado, com efeito significativo sobretudo entre os trabalhadores de menor remuneração. Para o emprego, não foi identificado efeito estatisticamente significativo ligado à exposição à IA.

Os autores fazem ressalvas metodológicas: a medida de exposição foi construída com base em dados da Anthropic e não incorpora necessariamente todo o uso de modelos como ChatGPT, Gemini ou sistemas corporativos internos; apenas 321 ocupações puderam ser cruzadas entre as bases; e o período analisado após o surgimento da IA generativa ainda é relativamente curto.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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