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sábado, setembro 19, 2026

El Niño pode elevar preços de alimentos em até 20% e pressionar inflação, aponta estudo

El Niño pode provocar alta significativa nos preços de alimentos

Um estudo do banco Rabobank indica que o fenômeno climático El Niño pode aumentar os preços dos alimentos no Brasil, com picos ocorrendo até seis meses após os choques climáticos. Segundo o relatório, em um episódio forte os alimentos in natura poderiam sofrer alta de 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio avançaria 6,32%.

O levantamento comparou a evolução do Índice Oceânico Niño (ONI) — utilizado para medir a intensidade do El Niño — com a inflação dos alimentos consumidos em casa durante os principais episódios do fenômeno nas últimas décadas. Para classificar a intensidade, o estudo adotou a média de três meses do ONI: valores acima de 0,5°C caracterizam El Niño moderado e acima de 1°C, episódios fortes.

De acordo com a última divulgação da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), em agosto havia probabilidade de 26% para um El Niño moderado, 57% para um evento forte e 16% para um evento muito forte. As projeções indicavam cerca de 80% de chance de um El Niño forte para o fim do ano.

O relatório destaca que os alimentos in natura reagem mais rapidamente aos impactos climáticos, especialmente hortaliças, cujos ciclos curtos tornam a oferta mais sensível a secas ou chuvas intensas. Produtos semi-elaborados, como arroz e feijão, costumam sentir os efeitos de forma mais gradual devido ao repasse nos custos dos insumos. Já os industrializados tendem a registrar aumentos mais suaves, porque o preço final incorpora custos de processamento, embalagem, transporte e comercialização.

O estudo detalha cenários para a inflação: em um El Niño moderado, os preços dos alimentos in natura poderiam subir 13,4% no acumulado de 12 meses, o que acrescentaria cerca de 0,36 ponto percentual ao IPCA. Para essa mesma hipótese, os preços dos alimentos semi-elaborados e industrializados teriam variações de 0,27% e 0,5%, respectivamente, totalizando um impacto próximo de 0,41 ponto percentual ao IPCA.

No cenário de El Niño forte, a alta dos in natura próxima de 19,9% sozinha somaria cerca de 0,53 ponto percentual ao IPCA. Os semi-elaborados avançariam 3,6% (impacto de 0,20 ponto) e os industrializados 1,4% (0,11 ponto), resultando em um efeito total de aproximadamente 0,83 ponto percentual sobre o índice, com o impacto mais intenso ocorrendo cerca de seis meses após o choque climático.

O estudo também aponta diferenças regionais: regiões metropolitanas com maior peso do consumo ou da produção de alimentos in natura devem perceber os efeitos mais cedo e com maior intensidade. As maiores elevações de preços no curto prazo seriam registradas em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém. Salvador e Recife tendem a ter um repasse mais gradual dos choques.

Economistas consultados pelo G1 em julho indicaram que hortaliças seriam os primeiros itens a sentir os efeitos. Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, citou milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz entre os produtos mais vulneráveis. O leite pode ser afetado conforme o volume de chuvas no Sul.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) afirmou que a pecuária no Centro-Oeste e no Norte está entre as atividades mais expostas, por conta da possível redução de água para pastagens. O instituto também apontou que algumas regiões podem ser beneficiadas: no Nordeste, calor e menor volume de chuvas podem favorecer a colheita do feijão, enquanto no Sul chuvas acima da média podem beneficiar culturas de inverno.

O Rabobank ressalta que intensidade e duração dos impactos dependem da força do El Niño, das condições das safras e do cenário econômico.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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